terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

100 Vibrações

É no simples que o amor faz sua morada
Fugindo das complexidades e brutalidades
Rumando em direção oposta ao que padronizam
Leve e frágil, puro e incomum... indivisível e absoluto

Sem tempo, sem estado e cem vibrações positivas
Não está na casa, no carro ou no banco
Está em qualquer canto e até em prantos
Visível irracional invisível emocional

São gestos, palavras, desenhos e destinos
Em cada um é um, em cada olhar um olhar
O corpo sente, mas as vezes não entende
A simplicidade e grandiosidade do amar

Jonatas Pierre


quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Lú e Zês Psic

Tudo não passa de colar, descolar e decolar
A mente inventa gente que mente pra gente de mentirinha
Singelo gesto indicador da fúria de um indigesto mártir genioso
Culpo a desculpa que em puro fato silencioso pula a cúpula poluída

Descaso ao caso e ao descanso que descalço alcanço sem sossego
Cego de medo vendendo vias lúcidas veladas a meio dedo
Encarte encharcado cercado de cheiros e arruaceiros debochados
Sublime ar além mar rarefeito causando raro efeito sem defeito alheio

Todo amor com dor sem cor reveste ao leste e investe em choro amedrontador
Séria seria a sereia se em vida real nada levava lenha à lavadeira
Gigante mestre astro em mastro espaço findado ao aço soldado
Víboras naus sortidas passadas de velcro e cinta soltadas nuas na imensidão

Lamento ao tempo que voa com vento dentro do pensamento de quem leu
Pondo-se a pensar meros ilustramentos baseados em conhecimentos desconhecidos
Adquiridos junto ao nicho de veras varas valentes que traz pro papel da mente
Histórias e lendas sem vendas e fronteiras

Jonatas Pierre


sábado, 2 de fevereiro de 2013

Cera Nova

Cante ao vento quem não tem medo de chorar.
Olhar sempre atento e a cabeça a pensar.
Gira palhaço solto e salte sem parar.
Varra da rua da minha vida os lamentos pro lado de lá.

Só se pode gostar quem se arriscou a provar.
Da velha vela verde começa a pingar
A nova cera quente pra outra vela formar.
O dia é contente, pra frente, sem voltar.

A lua estende pra gente o grande palco do céu estrelado
Que toca o nosso corpo e mente
Pra lembrar-nos que da nossa alma ascende
Toda pureza e amor ardente
Do qual a vida de todo o ser aqui na terra presente
Anseia por alcançar.

Jonatas Pierre
 

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

1 Minuto

Foi um minuto.
A luz acabou.
Os relógios pararam.
O vento cessou.
O silêncio reinou.
O mundo parou.
Foi só um minuto.

Na manhã seguinte os espelhos não refletiam mais as cores.
Nem nas fotografias e nem nos vídeos apareciam as cores.
Era escala de cinza.
Com os olhos se via colorido, mas não era mais possível reproduzir as cores.
Da ponta do lápis azul no papel branco traçando uma linha,
No segundo seguinte o azul era cinza.
As cores não podiam ser gravadas, não tinham passado.
Estavam presas no presente,
No visível,
No instante,
Na mente.

Alguns choraram e outros sorriram.
Mas isso foi só até o final do dia, até a lua aparecer.

Foi um minuto.
Um trovão ecoou.
Os relógios adiantaram.
As luzes piscaram.
Estrelas apagaram.
O mundo balançou.
Foi só um minuto.

Na manhã seguinte ninguém conseguia ouvir.
Aumentavam os volumes, mas nada escutavam.
Tudo parecia estar bem devagar.
Buzina, latido, rádio, barulho, ruído...
Nada se ouvia, nem a própria voz.

Alguns choraram e outros sorriram.
Mas isso foi só até o meio dia,
Até o sol aparecer.

Foi um minuto.

Jonatas Pierre

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Voltas in Certas

A cada passo um passo, um compasso, um espaço.
Há caminhos que não tem volta,
Há voltas que nos tiram do caminho,
Há caminhos que só dão voltas,
Há voltas que embolam todos os caminhos.

As horas marcam por de trás do avesso,
Um dia termina tudo aquilo que já foi um começo,
Se não sobe mais pelos cantos em prantos se escode,
Era o arco da íris em plena crise que dura pra mais de dois mil anos.  

Vento leve fraco e sombrio,
Que em todas as espinhas causa arrepio,
E há quem duvide que não seja a mesma coisa,
E há quem insiste que agora tudo é diferente,
E há quem acredite que irá piorar muito daqui pra frente,
E há quem finge que vive em um mundo todo sorridente.

Na cara e na coroa do espanto escondido atrás dos dentes,
Na vala e na vela da esperança de novos tempos vigentes,
Vibrando timbrado na folha no papel amassado,
Ecoando fileiras estreitas de um breve presente passado apertado.

Guilhotinas apontadas pro silêncio vazio,
Armadilhas armadas pra prender o futuro,
Cautelosas estradas pro porto seguro,
Descansar sentado a beira sombra em um sofá macio.


Jonatas Pierre

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Quase


Ele conversava em sua própria mente,
Ali não tinha medo de nada.
Criava e inventava sons,
Trocava as cores, dobrava o céu,
Estimulava na boca o gosto do mel.
Sorria sem fim,
Sem tempo,
Sem eco.

Reposicionava as pessoas como se fossem brinquedos.
Era livre, tinha um tigre, não tinha cabelo e não sentia frio.
Diminuía, crescia, batia no chão igual borracha.
Não se machucava, não dormia, não sentia fome e nem dor.

Esticava-se, questionava as pessoas sobre a vida,
Formulava as respostas logo em seguida,
Ia formando um paredão sem fim de perguntas não respondidas.
Não entendia a maldade humana,
Desconhecia o que era solidão.

Cantava e dançava sempre em grandes companhias,
De Pinóquio a Chico, de Colombo a Lampião.
Quem pesava a pena, do chumbo espantava.
Corria sobre os rios, patinava sobre o mar.
Transformava vinho em água, coloria a escuridão.

Só não conseguia amolecer os jovens corações tão duro quanto pedras, que estão escondidos atrás de rostos maquiados que celebram com gratidão a ingrata mentira que acreditam ser uma possível verdade em meio a um labirinto de placas mal sinalizadas.

Jonatas Pierre


terça-feira, 9 de outubro de 2012

In Tenção

Como entender aquilo que não se vê?
O sol do alto brilhando em todas as direções
Um imã central atraindo matérias
A linha do horizonte sem fronteiras
Cores que atravessam montanhas
Sem início e sem fim.

Barulhos rangendo sem identificação
Clarões em linhas distorcidas no meio da escuridão
São ventos, são lágrimas, são gritos, são dores
São espelhos velhos com vidros novos
Renovando reflexos em cada geração.

Roupas novas e sorrisos falsos
Que embalam a falsa impressão de uma nova estação
Máscaras de aço em grande produção
Que alimentam a alma e enchem os corações de esperanças e enganos
Delineando em planejadas expressões
Uma marcha em movimento retilíneo uniforme
Que caminha para onde quiser que vá a intenção.

Jonatas Pierre