sábado, 25 de fevereiro de 2017

Praia Aragarças - Desbravando o Mato Grosso

Sábado, 25 de fevereiro de 2017, eu estava em casa e no meio da tarde decidi caminhar um pouco e atualizar meu Jonjon Maps (Jonjon Maps é o aplicativo que tenho no meu cérebro que funciona igual ao Google Maps Street Views, rsrsrs, preciso ir atualizando com novas imagens e gerando novos mapas). Então, voltando ao assunto... Coloquei meu tênis companheiro de guerra e sai a caminhar sem ter pré-definido algum lugar específico (amo essas saídas espontâneas e sem planejamento).

Fui em direção ao porto, o porto me dá inspiração e tinha certeza que ao sentar nas arquibancadas, olhar para o maravilhoso rio iria despertar novos ares... e foi exatamente o que aconteceu! Estava ali sentando no degrau, tinha o pessoal curtindo o dia nas barraquinhas, o sábado de carnaval. Para explicar melhor, quando tu senta na arquibancada do Porto do Baé, na outra margem do rio, na cidade de Aragarças fica a 'praia'.

Na margem tem uma boa parte de areia, já ouvi dizer que no meio do ano tem a temporada de praia e que a margem enche de barraquinhas e vem pessoas de todas as partes para curtir a temporada, o rio dá uma abaixada e aumenta mais o espaço da areia. Dizem ter shows, luais e outras atrações. Se for da vontade de Deus esse ano poderei presenciar essa temporada de praia, mas enfim, sentado do lado de cá decidi ir para o lado de lá! Como eu disse pra mim mesmo... Ahhh, não estou fazendo nada, vou dar um pulo ali em Goias e já volto.... rsrsrsrrs.

Um amigo da Igreja, o Kleiver, havia me falado que lá na praia (toda vez que me referi a praia, trata-se da margem do rio do lado da cidade de Aragarças - GO) tem uma pista dupla que é bacana para dar uma caminhada. Como estou apaixonado por exercícios, seria interessante também conhecer mais um lugar onde poderia treinar... e lá se vai o Jonatas atualizar o Jonjon Maps.

Assim que sai do Porto, passei pela Concha Acústica e segui em direção da rotatória do início da primeira ponte, mas decidi pegar um outro caminho que ainda não tinha passado, em vez de seguir reto no bares eu virei a esquerda. Já tinha passado por ali uma vez logo quando chegamos aqui, mas foi de carro, dessa vez estava indo tranquilo caminhando. No final da rua do lado esquerdo tem uma casa de Show, estava bem enfeitada é claro, por conta do carnaval, chama-se Sallom. A rua é mão única para quem vem da praça da Matriz e quer pegar sentido a ponte. É uma reta curta, chega nessa casa de show vira a direita e segue reto até a avenida maior que chega na rotatória.

Logo que vira tem uma praça e uma churrascaria, tem um ar de abandonado. A praça com certeza estava bem abandonada, tem uma pedra, tipo um monumento, não pesquisei ou via algo sobre, tem um parapeito e umas estruturas de cimento, parece ter sido uma bela praça um dia, mas estava bem abandonada. embaixo do parapeito tem uma área grande, de primeira vista parece que já foi um estacionamento, já que ao lado dessa praça tem uma descida um pouco asfaltada que pela lógica dá acesso a essa área. Dá para ver o rio e a direita dessa praça está a churrascaria, estava fechada, não me atentei a chegar perto para ver como é por dentro, já que estava encantado com a praça 'abandonada'.

Uma coisa que me chamou muita atenção é que bem onde tem essa rampa que desce em direção a esse 'suposto' estacionamento, tem uma placa grande do projeto de revitalização da orla do Porto do Baé. Não sei de quando é a placa e não percebi data do projeto e nem de conclusão, tem as imagens ilustrativas de como 'ficará' depois da revitalização. Sendo muito franco, torço para a execução das obras, porque pelas imagens a orla ficará impressionantemente maravilhosa! Então vamos aguardar não é?

Seguindo a rua, um pouco a frente vi dois rapazes em pé ao lado de um carro mais antigo, fui caminhando em direção a eles e não deu outra, o carro estava com problemas e eles estavam pensando em tentar pegar no 'tranco', claro que não pude resisti e fui logo ajudando a empurrar... me bateu até aquela nostalgia, já que durante minha vida não faltam histórias de empurrar carro. Tentamos uma, duas e na terceira vez eles desistiram. O carro estava bem 'judiado', enfim, me agradeceram e agradeceram ao outro rapaz que estava ajudando. Achei que ele estava com eles, mas era outro voluntário assim como eu... Engraçado... uma rua tão vazia, realmente dando uma impressão de abandono e lá estávamos ajudando uns aos outros... ao menos tentando.

Então eu e o rapaz tomamos rumo, parece que eles estavam tentando ligar para alguém, pedir ajuda, não sei. Fiquei com vontade de ficar lá para ajudar, mas não teria muito a oferecer. No caminho, eu e o rapaz viemos conversando, ele veio me contado as experiências que já tinha passado com carros que já teve e também precisavam de uma 'empurradinha'. Rimos até, ele contou alguns quantos casos, rsrsrs, foi mais uma daquelas conversas espontâneas onde não interessa quem é quem, de onde vem e pra onde vai... simplesmente ele foi me contando os casos e fomos rindo pelo caminho, até a esquina, onde ele foi para um lado e eu para o outro... E o engraçado é que na despedida tanto eu quanto ele nos agradecemos. Isso é maravilhoso, nem sabemos o nome um do outro, nem sabemos se vamos nos reencontrar... mas ali, naquele sábado, sem saber porque ou de onde, tanto eu quanto ele estávamos ali e ajudamos o outro companheiro. Deus é maravilhoso e 'encaixar' as peças.

Segui em direção a rotatória, vendo cada detalhe que podia. bem na rotatória, que marca a entrada da cidade, que por sinal é bem bonita, tem um monumento bem bonito e em volta as plantas e flores bem arrumadinhas (a noite fica lindo, vou colocar uma foto no final do post Img.01). Bem a direita de quem vem da ponta, no meu caso a minha esquerda, já que eu estava indo para a ponte, tem um centro de apoio ao turista, tem uns painéis (placas/outdoors) lindos com os pontos turísticos da cidade. Passando por esse ponto de apoio entrei na ponte.

Bem no meio da ponte (a primeira ponte de quem está no sentido Barra - Aragarças é sobre o Rio das Garças) parei para contemplar a beleza do rio e a vista que se tem dali do porto é muito bonita. Fiquei um tempinho parado ali observando e segui em frente. Assim que você passa pela primeira ponte, você chega no cruzamento da entrada para a cidade de Pontal do Araguaia, do lado direito tem o que já foi um posto fiscal, hoje não é nada lá e a área grande que tem na frente tem alguns vendedores, açai, roupa, artesanato... Do lado esquerdo, onde eu estava, tem um restaurante, chama Encontro das Águas, vi só a entrada, parece ser bem chique, ao menos creio que deve ter uma vista linda, já que fica bem no encontro dos rios. A entrada é bem arborizada, então não deu pra ver muito lá dentro, mas está nos planos ir lá para conhecer (e comer é claro). Creio que deve ter gente que nem sabe que ali é um restaurante... rsrsrs

Entrei então na segunda ponte, que liga o Pontal a Aragarças sobre o Rio do Araguaia, Assim que entra na ponte você vê a placa de demarcação de limite de estados, ali, definitivamente eu não estava mais no Mato Grosso, estava agora em Goias! Eita trem! Assim como na outra ponte, parei bem no meio e fiquei um bom tempo admirando. De onde moro vejo um pedaço da ponte, logo fiquei tentando 'achar' minha casa da pote, mas não consegui... creio do outro lado da ponte ficará mais fácil para achar, logo, da próxima vez irei atravessar pelo outro lado. Também vi um rapaz de caiaque parado na margem no encontro dos rios, devia estar assim como eu observando a natureza e suas belezas. Depois de um tempinho ali parado segui minha caminhada.

Logo que sai da ponte fui observando as lojas e o movimento, eu já havia ido a Aragarças a um grupo familiar, mas fui de carro e lembro que assim que saímos da ponte fomos a direita sentido Fórum, meu amigo Kleiver me falou que as pistas ficam a esquerda assim que passasse a ponte. A primeira rua a esquerda assim que sai da ponte a primeira impressão tive a impressão de ser uma rua sem saída, optei por caminhar um pouco mais e virar na próxima, que estava bem pertinho. Foi até bom, porque caminhando um pouquinho mais também tem uma rotatória e também tem um monumento, porém, em Aragarças são três peixes, é conhecido como rotatória dos peixes e quem me conhece sabe que não entendo nada de peixe, então não faço ideia de quais peixes são (vou colocar uma foto Img02).

Virei a esquerda e segui em frente, observando as casas e o movimento. Fui mantendo a esquerde e logo me deparei com uma pracinha, um restaurante e alguns brinquedos. Nessa praça parecia ter um chafariz, mas estava abandonado. Cheguei no início das duas pistas e da 'orla da praia'. Logo no início tem uma rampa de acesso de pedestres... que dá no mato... estranhei, mas notei que se tratava de abandono. segui por cima, tem um calçadão por toda a beira da pista (rua). Tem um para peito por toda a extensão e no início da calçada uma estrutura escrito Aragarças. reparei no primeiro momento que parecia que tinha uns degraus largos até chegar na 'areia da praia'.

Segui andando pelo calçadão... bem vazio, alias, quando cheguei tinha dois rapazes um pouco a frente da estrutura e mais ninguém. do para peito dava pra ver que tinha duas pessoas e uma criança lá na beira do rio. Enquanto caminhava me deparei com acessos para o degrau debaixo, tipo, acessos mesmo, escada para pedestre e rua para carros... logo entendi que era uma estrutura, olhando bem vi que era de cimento, mas estava tomado pelo mato... Imaginei o quão bonito devia ou deve ser aquilo! fui andando e parando para contemplar a paisagem.

Passaram alguns carros, algumas pessoas, tipo umas seis pessoas no máximo... É bem curta as pistas, logo cheguei ao final e antes de chegar ao final, que tem um acesso para carros asfaltando, passou um rapaz, desceu por esse acesso e entrou a direita para o meio do mato. Estava caminhando rápido, fui acompanhando até sumir no meio do mato... não faço ideia para onde leva aquela trilha. No meio de um dos largos degraus. no meio do mato tinha uma barraca de lona, bem pequena... será que alguém dorme ali? Parecia abandonada.

Enquanto estava parado ali chegou uma família com crianças e estavam tirando fotos e as crianças correndo e brincado. Fiquei olhando toda aquela estrutura tomada por mato e tentando imaginar como devia ser quando foi inaugurado (vou procurar por uma foto na internet e se achar vou colocar como ImgOrla). O penúltimo acesso de carro ia direto até a margem do rio, inclusive tinha uma carro parado lá embaixo próximo ao rio, certamente o carro das pessoas que estavam no rio. Eu estava no último acesso de carro e o degrau debaixo entre o último acesso e o penúltimo tinha mato, mas estava 'roçado'...

Então a criança aventureira dentro de mim queria ir no rio e não queria ir pelo caminho 'normal', então desci no último acesso e teria que atravessar pelo degrau até o outro acesso que dava até o rio. Logo que cheguei lá embaixo, vi que estava roçado e que o mato estava baixo, mas vi também que tinha barro... então a aventura seria duplamente divertida. Atravessar o mato e o barro... pronto, lá fui eu, saltando de um monte para o outro, arriscando atolar o pé no barro, rsrsrsrs. Foi super divertido, me lembrou e muito minha infância, onde eu, meu irmão e alguns amigos entravamos mato adentro e chamávamos de "Aventuras no Plantão da Mata". Onde tinha mato lá estávamos desbravando... rsrsrsr. Meu irmão certamente se lembrará e muito disso.

Quando estava quase chegando no final, onde chegaria ao penúltimo acesso ouvi a voz de um menino que falou assim: "olha onde ele está mãe!". Era um garotinho em um velotrol (ou tricíclo, eu conheço como velotrol) e sua mãe, eles estavam descendo o acesso em direção ao rio. Olhei para ele, dei um sorriso e segui o acesso em direção ao rio. Está uma época de bastante chuva, então no caminho, onde acaba o asfalto, estava com bastante barro. Fui seguindo as marcas dos pneus. Passei pelo carro e cheguei a areia na margem do rio.

Foi uma sensação boa, era diferente estar ali, daquele lado. A areia estava bem encharcada, já que o rio esteve cheio a algumas semanas atrás. Fui andando me aproximando da água até que afundei. percebi que alguns pontos a areia não estava firma, então me senti o indiana jones naquela parte que ele precisa saltar nas pedras fixas... Fui saltando em uns montinhos mais firmes até chegar próximo da água. A mãe e o garotinho chegaram, ficaram um pouco distante de mim e pude perceber que ela passou pelo mesmo apuro que eu, posso dizer que até pior um pouquinho, ela chegou a afundar o pé inteiro.

O garotinho foi logo brincar na água, totalmente feliz. As outras pessoas estavam bem mais distantes da gente. Enquanto eu observava as belezas, o garotinho brincava e a mãe dele 'vigiava', notei que um rapaz vinha se aproximando e também um barquinho, não sei como chama, mas é desses barquinhos que tem um monte de cadeirinhas que fazem passeios pelo rio. O barquinho chegou na margem e nesse momento presenciei algo que me fez refletir e muito.

Jesus falava das crianças, da pureza, da simplicidade, da necessidade de sermos como criança... Logo que o barquinho encostou o garotinho admirado saiu correndo em direção ao barco. Ele foi direto ao rapaz que conduzia o barco, eu estava longe, não pude ouvir o que falaram. Vi ele com as mãozinhas na cintura e 'admirando' o barquinho. Depois de um tempinho ele e o rapaz do barco estavam rindo e fizeram um aperto de mãos, o rapaz que estava se aproximando chegou até eles e também entrou na conversa, brincando com o garotinho... Essa é a essência de ser como criança, criança contagia, criança chega, criança não tem status, preconceitos, maldade... Tem e de sobra energia boa e muita curiosidades.

Resolvi que era hora de ir embora. Fui caminhando sem olhar para trás, peguei o caminho de acesso e fui caminhando sem pressa alguma e muito a pensar. Assim que começa o asfalto vi que tinha uma placa que estava tombada, então resolvi levantar para ver o que estava escrito, o pouco que consegui ler falava sobre a obra da orla para a temporada de praia... enquanto eu tentava ler o mesmo rapaz que havia chegado lá na margem do rio passou e falou... "Eles colocam a placa e eles mesmo derrubam". Então falei: Aqui devia ser bem bonito neh? Ele disse: É sim, esse ano como não teve carnaval aqui eles deixaram o mato tomar conta, mas a prefeitura limpa na temporada de praia, mas não sei, falam que está sem verba. Mas acho que está mesmo. Então falei: Tomara que mude e melhore, ele concordou e segui o caminho dele.

Cheguei novamente ao calçadão e fiquei mais um tempo observando. Enfim, peguei o caminho de volta e no início da calçada, em vez de voltar pela rua que vim, segui reto, passei em frente ao restaurante e peguei uma ruazinha para ver onde daria. No meio do quarteirão tem uma casa de artesanato, estava fechada, mas tinha algumas coisas do lado de fora, tinha um cisne feito de pneu, algo que pra mim era um 'jump' de pneu de caminhão (essas base de elástico de academia, tipo uma mini cama elástica). Segui a ruazinha e essa rua é exatamente aquela primeira rua que virava a esquerda assim que sai da ponte! Agora meu Jonjon Maps já está atualizado! Peguei as pontes e voltei para o Porto do Baé... Cenas da próxima publicação...

Jonatas Pierre

Img01 (fonte: Internet Google Imagens - Entrada Barra do Garças)
Img02 (fonte: Internet Google Imagens - Entrada Aragarças)
















ImgOrla  (fonte: Internet Google Imagens - Praia Aragarças - Quarto Crescente)




sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Breve Esplanação - Desbravando o Mato Grosso

Atualmente moro bem no centro da cidade de Barra do Garças, no Mato Grosso. Quando digo bem no centro, é tipo... bem no centro mesmo! rs. Moro próximo a uma praça chama Praça da Matriz, em uma próxima oportunidade irei detalhar essa praça, que por sinal é maravilhosa!

Bem perto a essa praça está o Porto do Baé, ainda não descobri e nem pesquisei a origem do nome, é uma das referências da cidade, podemos dizer ser o point. Tem uma rampa onde colocam e retiram os barcos, lanchas e jetski do rio e ao lado da rampa tem as 'arquibancadas' ou também conhecido como 'escadarias'. O Porto fica a poucos metros de onde se encontram o Rio Araguaia e o Rio das Garças. O interessante é que esses rios ligam três cidades e dois estados.

Um pouco antes dos rios se encontrarem tem duas pontes, uma sobre o Rio Araguaia, essa ponte demarcar a divisa do Estado de Goias e o Estado do Mato Grosso. Essa ponte liga a cidade Aragarças (Goias) e a cidade Pontal do Araguaia (Mato Grosso). A outra ponte está sobre o Rio das Garças e liga a cidade de Pontal do Araguaia e Barra do Garças, ambas pertencentes ao Estado do Mato Grosso.

O Porto do Baé fica em Barra do Garças e é um complexo bem bonito, nas arquibancadas, as pessoas vão para passar o dia, ficar vendo o rio batendo papo, levam as crianças, os cachorros e tem até uns que pescam. Antes de chegar nas arquibancadas tem quiosques e bares. Bem do lado da rampa de embarque e desembarque no rio tem um restaurante 'flutuante'. É uma espécie de restaurante em uma embarcação e fica na água, bem na margem. Tem uma rampa de acesso ao restaurante. Ainda não fui lá, mas está nos planos.

Final de semana o porto enche, muitas lanchas e jetski na água, muitas famílias passam o dia lá. No complexo ainda tem uma enorme construção para eventos e shows, conhecido como concha acústica. É onde tem os shows e as atrações da cidade, esse ano por exemplo os shows do carnaval foram na concha, já teve uma dupla sertaneja também e logo que mudamos para cá teve show de pagode.

Ao lado da concha acústica tem uma grande pista de skate, para quem gosta do esporte é um ótimo ponto, também tem as barras para exercícios, onde vou praticamente todos os dias malhar, mas infelizmente a barra maior está quebrada, mas nada que atrapalhe meus treinos. Tem restaurantes e bares em torno, bem na rotatória do porto tem uma loja das franquias Subway e aparelhos de ginástica das academias públicas.

Em uma próxima oportunidade irei descrever mais sobre o complexo do Porto do Baé, esse primeiro esboço foi apenas para vocês entenderem um pouco sobre essa nova série: Desbravando o Mato Grosso, onde irei compartilhar em texto algumas experiências, aventuras e um pouco do meu dia a dia aqui em Barra do Garças. Vou publicando as experiências atuais e aos poucos vou publicando os fatos que já ocorreram desde que chegamos aqui dia 04 de Setembro de 2016.

Na foto abaixo do Marcelo Ventura, vê-se o porto bem no cantinho inferior esquerdo, na água dá pra ver um telhadinho que é do restaurante flutuante. A construção que parece o coliseu, rsrs é a concha acústica, mais no alto vê-se ao lado esquerdo o Rio Araguaia e ao lado direito o Rio das Garças, pela foto fica mais fácil para visualizar o que descrevi acima... No centro, entre os dois rios temos a Cidade Pontal do Araguaia (MT), à direita Barra do Garças (MT) e à esquerda Aragarças (GO).

Jonatas Pierre













Porto do Baé (Foto: Marcelo Ventura)

sexta-feira, 29 de abril de 2016

No Ponto - Viva o Hoje, Esteja no Agora.

Sebastian foi ao centro de sua cidade resolver pequenas coisas e sem muito demorar chegou ao ponto de ônibus esperar para embarcar de volta para casa. Exatamente como de costume começou a observar as pessoas que assim como ele estavam ali a esperar. Um belo casal a conversar, crianças correndo e sorrindo, pessoas indo e vindo em diversas direções. O sol não estava muito forte, mas o suficiente para que todos procurassem as sombras das marquises e das árvores.

Não demorou muito e o ônibus do qual Sebastian esperava aponto na outra esquina, as pessoas que também esperavam por ele começaram a se movimentarem para mais próximo a parada, Sebastian como de costume ficou um pouco mais distante, sempre deixa todos entrarem e fica por último. Quando o ônibus foi se aproximando lentamente, o bolo de pessoas aumentou e de repente surge uma figura emblemática. Um rapaz com uma camisa roxa suja e um short vermelho também sujo, ele tinha uma barba por fazer e estava de chinelos, os pés também estavam sujos. Mas o que chamava a atenção era o comportamento desse rapaz, ele vinha falando alto, pode-se considerar em um tom realmente mais elevado que o normal, coisas referentes a futebol.

Logo as pessoas foram abrindo o bolo tentando 'escapar' do rapaz, que a cada pessoa que se aproximava falava coisas referentes a futebol, a um jogo que teve final de semana. Pelos olhares das pessoas Sebastian pode ver olhares de julgamento, de preconceito, de susto, de insegurança... 

Certamente alguns o via como drogado, bêbado, marginal, doido... 

Porém, algo surpreendente estava por acontecer, ao ir se aproximando do ônibus, o rapaz emblemático foi conseguindo passagem, já que as pessoas iam abrindo caminho, ele logo entrou e de onde Sebastian estava ele conseguiu ver que o rapaz sentou logo no segundo banco da parte da frente do ônibus. Sebastian olhou um pouco para a esquerda a viu uma senhora conduzindo um homem que não enxergava, ele também embarcaria no ônibus. As pessoas que estavam entrando no ônibus também abriram passagem para o homem entrar, ele sentou no primeiro banco do ônibus, bem à frente do nosso rapaz emblemático que continuava a falar sobre futebol com um tom de voz alto.

Finalmente Sebastian entrou, passou pela roleta e sentou logo no primeiro banco depois da roleta, em uma posição bem próxima a do rapaz. Foi aí que o fato mais interessando ocorreu, o rapaz emblemático continuou a falar do futebol e o homem que nada enxergava se virou um pouco para trás, por identificar que a voz vinha de trás dele e perguntou a quem falava o que havia acontecido no futebol no final de semana. Logo o nosso rapaz contou para ele os resultados e os dois começaram a conversar, e até onde o homem desceu eles foram conversando, dando risadas, fazendo piadinhas e por vários momentos faziam outras pessoas que estavam próximas também sorrirem.

Sebastian refletiu muito depois que os dois desceram, pois havia visto pessoas que julgaram o rapaz pela imagem que ele passava, por suas roupas, pelo seu jeito e comportamento, mas nenhuma dessas pessoas o aceitou, todos rejeitaram ele, todos, menos o homem que nada enxergava, pois para ele a essência está no ser e não no que se vê. Como temos conceitos pré-estabelecidos, como excluímos pessoas no dia a dia simplesmente pelo que vemos. Sebastian sempre defendeu que em uma conversa o importante não é tanto olhar no olho das pessoas, mas sentir a alma, a essência, caso contrário ninguém nunca conseguiria conversar com alguém que fosse cego, pois não se poderiam olhar-se nos olhos. Sebastian até por vezes pense que seria maravilhoso se conversássemos de olhos fechados, talvez assim teríamos a oportunidade de prestar efetiva atenção ao que está sendo dito, não teríamos distrações que roubam nossas atenções e nem pré-julgaríamos pelo que vemos.

Vamos amar mais, doar mais, nos abrir mais, sair de trás dessa casca grossa e rude que criamos para nos defender de algo que nós mesmo criamos. Converse mais, sinta mais, seja mais.


quarta-feira, 25 de novembro de 2015

No Mercado - Viva o Hoje, Esteja no Agora.

Em plena terça-feira, no final da tarde, Sebastian foi ao mercado com sua esposa fazer compras. Precisava comprar alguns produtos de limpeza, frutas, arroz, temperos e outras coisas mais. Sebastian não é um apaixonado em fazer compras, mas confessa que gosta muito de observar as pessoas, suas expressões, seus comentários, o que pegam de mercadorias. Ele fica pensando no que as pessoas estariam pensando, fita no carrinho alheio e tenta imaginar aquela pessoa chegando a sua casa com aqueles itens.

Em alguns carrinhos se percebe tipos de comidas que agradam crianças, mas pode ser que nem sejam para crianças, pode ser que nem sejam para a pessoa que está ali comprando. O tempo dentro do mercado às vezes parece não passar, roda-se, roda-se, roda-se. Olha o preço de algumas coisas, compara-se com outras, lembra-se do que estava esquecendo e se esquece do que lembrava.

Carrinhos vão, carrinhos vêm, cestinhas se cruzam e os olhares assustados para o tamanho das filas do caixa também. E foi justamente enquanto estava na fila que Sebastian teve a oportunidade de contemplar dois momentos inusitados.

No primeiro acontecimento, Sebastian, enquanto sua esposa pegava as últimas coisas, foi para a fila do caixa e quando chegou viu uma fila pequena, pequena demais que até estranhou, mas logo percebeu a placa acima que dizia ser um caixa prioritário. Sebastian então se dirigiu a fila ao lado, na sua frente tinham quatro pessoas. Uma estava sendo atendida no caixa, a segunda e próxima a ser atendida da fila era um senhor de cabelos grisalhos.

Na fila do lado oposto do caixa prioritário havia uma senhorinha também de cabelos grisalhos, aparentava ser de idade mais avançada que o senhor que estava na fila de Sebastian. Foi nesse exato momento que o senhor chamou a senhorinha e solicitou que ela passasse na frente dele para já ser atendida. Foi um gesto nobre, além de chamá-la ele ainda ajudou-a com suas mercadorias.

Uma moça mais jovem que estava na fila da senhorinha um pouco mais atrás dela disparou a elogiar a atitude do senhor, ao ponto de soltar o seguinte comentário: 

- Devia era filmar e mandar para televisão, isso está cada dia mais raro. 

O interessante foi a postura do senhor, que hora alguma quis chamar a atenção ou anunciar o seu feito, Sebastian pode perceber que esse senhor entende o verdadeiro significado de ajudar o próximo sem precisar anunciar e comunicar a todo o mundo.

Alguns minutos depois Sebastian pode reparar um jovem rapaz que vinha com sua cestinha, nela havia poucas mercadorias. Ele estava procurando por uma fila menor e se deparou com aquela mesma fila a qual Sebastian também havia se deparado. O rapaz apressou a passada e entrou na fila que tinha apenas uma mulher a sua frente. Ele reparou que essa mulher estava grávida e olhou para a fila ao lado onde Sebastian encontrava-se, aparentando estar se perguntando: 

- Porque essa fila está vazia?

Foi então que ele olhou para cima e viu a mesma plaquinha de fila prioritária e tomou a mesma atitude que Sebastian, se dirigindo para a fila ao lado. O engraçado foi a expressão que o rapaz fez ao perceber que estava na fila de prioridades,  conforme reparou Sebastian, foi uma mistura de ‘vergonha’ com ‘estou fazendo algo errado’.

Sebastian foi para casa refletindo sobre as duas belas atitudes que vira ali no pequeno mercado e isso fortalece cada vez mais a esperança que podemos evoluir mais e mais, chegarmos a um ponto onde a bondade se torne algo comum entre as pessoas, onde a confusão esteja na hora de dispensar muitas ajudas e não na hora de implorá-las. Ajude sem precisar anunciar, cada gesto simples forma a maravilhosa corrente do bem. 


terça-feira, 24 de novembro de 2015

Na Festa - Viva o Hoje, Esteja no Agora.

Sebastian em um sábado a noite foi com sua esposa a uma confraternização de pré-casamento de um grande amigo e lá encontrou com diversos outros amigos. A noite foi muito agradável, as pessoas sorridentes, comida farta e bastante gostosa, refrigerantes, sucos e água. 

Tudo muito favorável ao clima um pouco chuvoso e aos corações que pulsavam todos na mesma frequência de esperança, de votos felizes, de paz, de alegria, de realização e porque não dizer de ansiedade.

Os noivos sempre atentos para tudo ser perfeito e todos se sentirem a vontade e confortáveis. Os olhos brilhavam a essência daquele momento único e nas brincadeiras de adivinhações que ocorreram em uma interação magnífica entre convidados e noivos, fechou-se a noite esplêndida com chave de ouro. 

O sentimento de todos ali presentes era o mesmo: Toda felicidade do mundo ao casal! E não foi necessário observar muito para que Sebastian pudesse perceber o envolvimento positivo das energias que fluíam de cada pessoa e tomava conta de todo recinto.

Muitos desacreditaram no casamento, alguns acham utopia o amor, mas quem ama sabe e sente a chama interna ardente que agita todas as moléculas do corpo. Que os desejos sejam reais, que as vontades sejam sinceras, que a vida seja bem vivida e que dois se tornem um.


segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Na Rua - Viva o Hoje, Esteja no Agora.

Sebastian caminhava tranquilamente pelas ruas do centro de sua cidade em um sábado a tarde, por volta das 14:20. Enquanto dava passos lentos ia observando as pessoas que cruzavam seu caminho, as que andavam rapidamente, as que corriam, as que estavam paradas, enfim, todas nas quais ele conseguia lançar seu olhar.

Ao parar na calçada aguardando o momento de atravessar a rua, Sebastian avistou do outro lado três pessoas, duas mulheres e um rapaz. Eles estavam próximos a uma árvore e tinham uma espécie de prateleira móvel com alguns livretos e folhetos. Notou que na frente deles havia outra mulher que falava com os três.

Sebastian atravessou a rua lentamente observando fixamente aquelas quatro pessoas, pode perceber que as duas mulheres e o homem que faziam parte do trio estavam vestidos com roupas formais e a mulher a frente deles estava vestida de forma mais simples, toda de preto, essa mulher que estava a falar. Dos três que estava escutando, Sebastian pode perceber pelas expressões que o homem e uma das mulheres estavam prestando mais atenção no que estava sendo dito.

Logo Sebastian começou a prestar mais atenção na outra mulher que fazia parte do trio, mas que parecia está pensando em outra coisa ou desinteressada no assunto. Ela estava com um lenço no pescoço e no exato momento que Sebastian passava por eles, pode perceber que ela era a única a não olhar para a mulher que falava, pelo contrário, ela estava olhando e preocupada com o seu lenço. Ela estava ajeitando o lenço e seu cabelo.

Sebastian passou por eles e ficou refletindo sobre a postura daquela mulher, será que o assunto não estava interessante? Será que estava tão ruim assim que não daria nem para disfarçar certo tipo de ‘interesse’. Sebastian de certa forma estava naquele momento pré-julgando aquela moça, discordando da postura dela e pensando na indelicadeza que do ponto de vista dele essa mulher estaria cometendo com a falante.

Sebastian parou na esquina seguinte no ponto para esperar o ônibus que embarcaria para seu destino, quando ao passar de alguns minutos ele se surpreende ao ver aquela mesma mulher de lenço, da qual ele havia ‘condenado’ a pouquíssimo tempo atrás, caminhando lentamente com um rapaz a segurá-la pelos ombros. 

O rapaz era cego e ela estava conduzindo ele, Sebastian reparou que eles conversam e vinham na direção dele, mas pararam a alguns passos de Sebastian e ele pode perceber que na conversa ela estava dizendo ao rapaz que o levaria até o destino dele e que seria melhor virarem a direta, pois seria mais rápido. Eles viraram e seguiram adiante, Sebastian ficou maravilhado e soltou um pequeno sorriso. Estava rindo da situação e de si mesmo, a mesma pessoa que outrora ele ‘alfinetava’ agora estava ajudando um próximo.


Estamos a todo instante pré-julgando as pessoas, ora por suas atitudes, ora por suas roupas, ora por nada. Que possamos procurar conhecer a alma das pessoas e mutuamente motivarmos a fazer o bem e a amarmos uns aos outros. Que possamos viver o hoje, estarmos e sermos o agora. 


domingo, 22 de novembro de 2015

No Festival - Viva o Hoje, Esteja no Agora.

O dia era uma sexta-feira a noite, Sebastian estava ajudando na produção de um evento cultural em uma instituição, era propriamente dito um festival cultural. Crianças apresentavam músicas aos espectadores e estavam sendo avaliadas por jurados, os três primeiros ganhariam um troféu e todos ganhariam medalhas de participação. 

Ao termino de cada apresentação Sebastian subia ao palco para auxiliar na saída da criança e na preparação da próxima, em um desses intervalos ele subiu ao palco juntamente com outra ajudante da produção, os próximos a se apresentarem seriam dois meninos e eles iriam apresentar uma música tocada na flauta doce, porém, um dos meninos não foi e o garoto que estava lá e havia subido no palco estava com uma expressão de nervoso e assustado. 

Enquanto Sebastian arrumava o microfone e a partitura para o pequeno garoto, ouviu um comentário da outra ajudante que lhe chamou a atenção, ele parou para observar aquele momento, ela disse: 
- Ele te deixou na mão não é, você fará sozinho. 

O pequeno garotinho com o rosto ainda assustado balançou com a cabeça para cima e para baixo em movimento afirmativo, logo em seguida a ajudante continuou perguntando ao garoto: 
- Você está nervoso? 

Novamente o garotinho balançou a cabeça afirmativa. Então a ajudante pediu que o garoto abrisse bem os braços e respirasse bem fundo e calmamente, foi nesse exato momento que Sebastian foi surpreendido e ficou maravilhado, por que não dizer muito emocionado com o que viria a acontecer. 

O garoto estava com os braços abertos e a ajudante estava abaixada a sua frente e com uma doçura na voz de forma mágica a ajudante disse: 
- Agora me dê um abraço. 

O garoto rapidamente a abraçou. Sebastian não teve palavras para descrever o momento, mas teve a certeza que o gesto foi o mais lindo e nobre que jamais esperaria imaginaria ver naquela noite. Depois do abraço ela perguntou se agora ele estava melhor e ele respondeu que sim. 

O pequeno grande garoto fez uma maravilhosa apresentação que lhe rendeu o troféu de segundo lugar no festival.

São pequenos gestos, muitas vezes nem mesmo as pessoas que os fazem conseguem no momento compreenderem e imaginarem o tamanho e a infinitude da beleza contida ali. O poder da simplicidade precisa ser compartilhado, precisamos aprender a enxergar o que acontece a nossa volta. Viva o hoje, esteja e seja o agora.