quinta-feira, 31 de março de 2011

Outro Menino


Brincado na rua segue o menino
Trabalhando na praça vendendo do milho
Largado as traças perdendo seu brilho
Criado na massa, um boneco felino.

Olhar distraído no encanto da sereia
Da flor o espinho que corta a beleza
Nas mãos um sino sinal de pureza
Buscando um reinado em castelo de areia

Andando sozinho na contra mão
Passos longos varridos cortando o vento
Parte o menino em frente, sem ter direção.

Da boca assobia um grande lamento
Procura com espanto um canto no chão.
E dorme na dura rua fria de cimento

Jonatas Pierre

quarta-feira, 30 de março de 2011

Dois um Só

É um tanto quanto interessante
Sentar-me hoje a beira da varanda
Somente a admirar a imensidão da noite com suas estrelas
Onde penso sobre uma vida de muitas rotas traçadas
Com objetivos incertos
Dando-se ênfase somente ao trajeto
Não ao ponto de chegada.

É um tanto quanto proveitoso saber
Que onde quer que chegue luz
Chegam também o amor e o ardor
A paz e a guerra
Doença e cura

Será a sorte lançada ao vento?
Será a vida um tormento delirante
Ou apenas um ponto fixo flexível
De uma constante variável?
Como saber de qual lado estar?

Chora triste quem chora sozinho
A flor em seu instante precioso afora de horas
Aflora deslumbrante depois de algumas auroras
Partindo simples e despercebida
Se não tem quem a vê

Gostoso é ter encontrado você
E compreender a felicidade de se viver
Compartilhando toda a essência do amor
Tornando dois um só ser.

Jonatas Pierre

terça-feira, 29 de março de 2011

Perdi Muito Pedir

Inexplicáveis são as variáveis emoções que moram no coração, uma volta sem partida, um fim sem início. A hora do dia que passa em um estralo do relógio consumindo mais um segundo. Quem consegue entender o verdadeiro significado do por quê? Onde estão todas aquelas coisas que você falou?

De olhos fechados também se vê, também vê. A chuva quando cai faz barulho ao tocar o chão, o sopro do vento anuncia a chegada do verão. As ruas vazias, um instante de solidão, esquecendo-se que no quarteirão das emoções, diante de tamanha riqueza e beleza, a solidão não passa de mera ilusão gerada por um estado involuntário de cegueira alheia, sufocando a capacidade de amar sem ser amado.

Seria pedir muito pedir que fique parada?
Seria pedir muito pedir que fique de olhos fechados a sentir o impacto das gostas a despencar da imensidão do céu de nuvens negras?
Seria pedir muito pedir que toque o próprio rosto, que sinta o cheiro de seus cabelos molhados, o peso da roupa encharcada, o respingo da poça formada que já envolve seus pés?

Seria pedir muito pedir que seja fiel e justa?
Que sinta a simplicidade das coisas?
Que tenha a pureza de uma flor?
Que deseje viver a vida que vive sonhando viver?

Jonatas Pierre

segunda-feira, 28 de março de 2011

100Hora Educação

Caminhando pelas ruas do horizonte secundário, seguia a Senhora Educação com seu cesto cheio de pedaços básicos de sua receita preferida. Pelo caminho parava sempre a conversar com qualquer pessoa que cruzasse por ela, as vezes era bem recebida, as vezes era bem ignorada, mas nem um, nem outro tratamento qualquer impedia a Senhora Educação de oferecer um pedacinho do que tinha de melhor.

Uns se afastavam antes mesmo que a senhorinha colocasse o cesto no chão para abrir seu tampo, outros além de aguardar, ajudavam a Senhora Educação a colocar o cesto no chão. Mas dentre esses que eram receptíveis, nem todos se interessaram verdadeiramente pelos pedaços recebidos, a de se reparar vários ao chão logo após a senhorinha seguir viagem.

A Senhora Educação é ansiosa para se encontrar com o Senhor Entendimento e receber uma porção dele, ela acredita que após essa porção conseguirá compreender como poucos são os que recebem e consomem seus pedaços gratuitos de educação em comparação aos milhares que chegam a brigarem por um pedaço de ganância que é vendido pelo Senhor Ambição, pelo Senhor Arrogância e pelo popular Senhor Egoísmo.

Jonatas Pierre

domingo, 27 de março de 2011

Poema ao Tempo

Queria poder cantar as longas e belas linhas de um poema já esquecido junto ao tempo, levado ao vento em mais um mês de lamento. Queria poder contar a minha história que em nada se difere de muitas que voam escondidas rumo ao abismo sem um dia ter brilhado servindo como incentivo.

Das linhas não traçadas e das letras tortas manchadas em folha com tinta fresca de caneta, forma-se um mundo imaginário, uma fuga do mundo real que a cada novo ponto final se misturam e se completam, confundindo os sábios e esclarecendo aos loucos a fortuna perdida de uma vida inteira escondida.

Não importa a matéria prima, não importa a matéria tia, de onde vem só se conhece ao ouvir ou ao ler, a distância não existe e o tempo se cria e recria a cada segundo. A significância de cada sentido abstrato é apenas encontrada se estiveres fazendo parte do movimento do balanço, onde o combustível necessário é produzido a cada novo impulso coletivo ou individual.

Não precisa ter um começo, não precisa ter um final, apenas não se pode ter um esquecimento total, um fingimento que nada foi real, um pensamento racional extremo que leva esse pequeno talento a se tornar uma bolha de sabão ao vento, até que um dia seja encontrado e desperte o desejo de ser cantado por um louco apaixonado.


Jonatas Pierre

sábado, 26 de março de 2011

Segredo Musical

Quero apenas fazer músicas.
Quero fazer músicas de amor,
Músicas de horror,
No enredo cantar de uma flor
Ou para uma flor.

Que não precise fazer sentido,
Posso falar do frio
Ou do ventilador.
Quem sabe cantarolar um bosque colorido
Sem esquecer a dura vida de um grampeador.

Das diversas harmonias
Eis que nascem as melodias
Ou será que misturei tudo no liquidificador?
Hoje não estou de Chico
E ainda não encontrei o Tom.
É brincando com meus textos
Que tiro daqui de dentro do peito
Todo esse amor.

E com estas e outras que ainda estão por vir
Juntando à de outros espalhados por ai,
Vou pintando a caneta folhas infinitas
De onde brotarão músicas
Que jamais serão esquecidas.

Jonatas Pierre

sexta-feira, 25 de março de 2011

Apresentação

É com muita alegria e encanto que me apresento aos desconhecidos e reapresento-me aos próximos queridos. Nasci e resido em Belo Horizonte, à grande capital do Estado de Minas Gerais, terra das minas e montanhas, vales, verde e rios. Gosto de ler, seja de livros a vôos de pássaros, quase sempre ao embalo de sons naturais e doce melodias, encontrando no espaço imaginário o ponto exato das suaves harmonias.

Escrevo. Muito dos escritos estão perdidos ou encontrados em algum outro lugar, porém, recentemente Daniele Rocha me inspirou a colocar as idéias no papel , virou alvo direto do recebimento e correção dos textos e como não bastasse, abusando de sua graduação em letras, tenho recebido 'aulas' particulares de literatura e português. Outra amiga querida, Juliana Kuns, formulou-me a genial idéia de 'virtualizar' os textos, ora, dessa sugestão, nasce agora o blog.

Frases e textos livres de mentes graciosas surreais. Espero compartilhar de enredos que às vezes fogem do contexto, mas, se encontram na nossa dimensão. Todos são queridos, opiniões e comentários serão bem recebidos e dentre aqueles que certamente nos seguirão, o meu comando de apertem os cintos, preparem-se e deixem voar longe a imaginação. Agradeço a todos que me incentivam e gostam dos meus textos, não podendo esquecer minha querida pernambucana Nininha, que antes do desenvolver dos mistérios, já sabe as respostas.

Jonatas Pierre, 25 de Março de 2011.