quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Rede

Ele não usou lenço hoje, não leu jornal, não penteou os cabelos, não colocou o suspensório. Não saiu, não sorriu e não comeu. Ficou deitado na rede de pijama azul, olhando para o tempo, contando as nuvens, lembrando-se dos eventos que naquele dia rechearam a sua agenda.

Não quis ir, quis ficar aqui esperando o sol se por. Há muito tempo não parava para olhar o por do sol. Casa, trabalho, trabalho, escola, em um ritmo indeterminado. Hoje lhe deu férias, não fez a barba, não cortou as unhas, não trocou ‘bom dia’.

Deitou ali, sem pensar nas horas, sem lutar com o trânsito, sem contar os dias. Ficou sem internet, sem celular e sem TV. Escutou o silêncio, sentiu o vento e não parava de bocejar. Era homem, era natural, era um ser tão ser quanto outro ser.

Olhou sem pressa, respirou tranquilo, não franziu a testa. Descansou, sentiu no corpo e na mente o alívio de ainda ser gente. Gritando por de trás de uma casca moldada a ganância ainda existia uma alma, sufocada pela corrente crescente pra frente de uma futilidade sem fim. Carente alma de simplicidade e amor, exibindo seus raios puros no balançar de uma rede em um dia sem horários, sem medo, sem lente e sem dor.

Jonatas Pierre

domingo, 30 de setembro de 2012

Por ai

Pode não ser lindo,
Mas me acompanha por ai...

Com encontros e desencontros
Está comigo de dia
Está comigo de noite
Ora me escapa pela falta de papel
Ora se perde ao vento

Ora se vai a ouvidos alheios
Ora vem como estrangeiro
Ora sai rápido ligeiro
Ora passa lento e estreito

É um longo extenso resumo curto
Que alegra meu viver
Que conta meus passos
Até eu adormecer

Jonatas Pierre

terça-feira, 18 de setembro de 2012

In-das

O horizonte é azul, as estrelas guias me guiam. Nada por acaso, nado ao acaso e os dias... Os dias não param.
Labirinto perdido de idas em areias finas passando por lençóis freáticos frenéticos em movimento ao som de lamento onde lá mente a pobre mente.
Medo do ir, fuga do vir...
Trajeto composto in-adequavelmente exposto em uma mesa de bilhar.

É gente que chora,
É gente que sorri,
É gente que passa,
É gente que fica.

São certezas próprias de um futuro já vivido, lembranças natas de um passado que ainda será percebível. A mesma escada que serve para subir, também serve para descer. Cada quadro em seu ex-quadro do quadrado. A saudade marca o chão, o brinde levanta a poeira e a lua ilumina a escuridão.

São sombras das pegadas que com o tempo foram construídas, desgastes letais de uma alma ferida, cercada de medos e rodeadas de incertezas. Mas quem sabe? Quem não teme e treme... Nem todo salto é para o alto, nem todo risco é arriscado, nem toda ida é sem volta, nem toda reta está livre de curvas...

É do cultivo que se cresce, é do caminhar junto que se firma, é do estar presente que se fortalece. Quem ama floresce, não esquece, não cobra. Quem sabe valorizar sabe o que é colher... e colhe bem.

Jonatas Pierre

domingo, 9 de setembro de 2012

Queira

Quem quer fugir desse mundo? 
Quem quer logo mais cedo sair dos trilhos da vida?

De fato a certeza que temos está no aqui, no agora, no presente...
Mas porque não usufruir desse presente momento presente com sabedoria, equilíbrio, paz e bem estar...?
E desfrutar de tudo isso em pleno vigor físico, com a saúde em dia, o corpo em alta, astral elevado, energias renovadas, estima sem estimas e limites...
Confiança, disciplina, dedicação!
Eu posso, você pode... Nós podemos!
Caminhemos juntos e esperançosos rumo ao belo novo mundo novo em total sintonia com o nosso ser, com o nosso ‘eu’, com o nosso corpo, com nossa alma.
Disposição bem alimentada... pensamentos organizados... organismo a todo vapor!
Enfrentemos nossos obstáculos superando nossos medos. Corpo leve mente livre. Sempre em frente e unidos. Em harmonia com a vida e com a vida saudável.
Sinta... Seja... Queira! 


Jonatas Pierre

Riozinho

As luzes da noite clareiam toda a calçada, 
Ligando as estrelas no céu formo teu nome,
Caminhando dentre as árvores sinto a essência de teu cheiro,
Olhando os pássaros voando lembro-me da leveza de teus movimentos...

Das nascentes em gota a gota nasce o rio,
Nas curvas, nos desvios e nas barreiras,
Em cada obstáculo não há desistência,
Há o acúmulo até a superação...

Toma a forma, se colore,
Tenta por um lado, tenta por outro,
Vai por cima ou vai por baixo,
Insiste, não para, se redobra.

Assim nasce, assim se desenvolve,
Assim percorre, assim cresce,
Assim se impõem, assim demarca,
Assim vira rio, assim chega ao mar.

Cada dia todo dia, constantemente.
Vira aqui, ajeita dali,
Estica daqui, encurta ali,
Corre, atrasa, não para.

Que nunca pare, que nunca acomode,
Que nunca esqueça, que nunca se entregue,
Que flua sempre continuamente
Assim como nosso rio de amor.

Jonatas Pierre

sábado, 8 de setembro de 2012

Loco&moção

Tão leve... Tão frágil... Tão única!
O tempo esperou seu tempo,
O tempo esperou meu tempo,
O tempo deu o tempo certo para o presente corrente. 


Talvez não fosse assim se fosse antes,
Talvez não fosse assim se fosse depois...

Uma lapidada de um lado, alguns ajustes de outro...
Concerto concreto, matriz na forma,
Ladrilhos em bloco, cantinhos cobertos.

Tudo vê... Tudo entende...
Tudo crer... Tudo sente...
Tudo iguala... Tudo encaixa...
Tudo se junta em equilíbrio pleno sereno.

Nada se perde além do que se pensa perder,
Nada está tão distante que não se possa tentar alcançar.

Velho vento brisa do tempo...
Engrenagens polidas lubrificadas de vida
Em total funcionamento ininterruptível
Mantendo sempre ativa e viva em nós
A grande pura bela máquina do amor.

Jonatas Pierre

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Encontro

O infinito belo céu azul encontrando com a imensidão profunda do oceano lindo, gera um horizonte magnífico sem fim...

Sem alcance dos olhos, sem som, sem cheiro, sem lados e sem limites...

Assim como minha alma encontrou a sua em um endereço qualquer,
Em um dia qualquer,
Em uma dimensão qualquer.

Sem limite, sem tempo, sem calendário, sem passado e sem futuro...
A cada ciclo novo das leis naturais em sintonia contigo,
Torna-se possível sentir o disparar das pulsações,
O arrepio na pele, o desejo em si...

Uma vontade louca aberta de receber a vida no despertar do amanhecer
Olhando pra ti...
Minha flor encantada rara perdida por ai...
Mas encontrada e amada aqui dentro de mim.

Jonatas Pierre