quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Beija-Flor

Cada vez que penso em tu, te reconstruo em mim... 
Célula por célula, poros por poros, DNA por DNA... 
Cada e todo pedacinho de ti em mim, 
Cada e todas as sensações e sentimentos perceptíveis ou não, sentidas ou não, entendíveis ou não...

A cada novo amanhecer...
A cada nova conquista...
Em cada novo e único abraço...
Em cada puro e belo olhar...
Pra cada delicado e sensível beijo...

Um amor... Uma fonte...
Uma flor... Dois copos...
Um prato... Uma toalha...
Três cadeiras...

No sofá. No chão.
No teto e nas paredes;
Em todo e em qualquer lugar...

Um nome. Seu nome.
O nome. Teu nome.

Bela e única...

Meu amor. Sem temor.
Amo-te e confesso sem medo...

Um desejo... Um espelho... Um beija-flor...

Jonatas Pierre

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Minha Flor

Minha florzinha... Minha florzinha...
A distância geográfica não a leva de mim.
Teus olhos... Teu cheiro... Teu gosto... Teu amor.
Tudo isso inunda-me de paz, felicidade, esperança...
És um presente raro sagrado em minha vida, um princípio fora dos meus conceitos até então compreensíveis.

É como se da noite pro dia eu começasse a acreditar em mágica, em surrealismos e ficções...
É como se o mundo parasse e dissesse: - 'Eis teu tesouro, cuide bem e agradeça pelo resto de sua vida'.
É como se a cada nova onda do mar que quebra na praia revelasse diante dos meus olhos teu nome...
Teu corpo... Teu ser...

Os ventos que por aqui passam cortando o céu e as nuvens levam a ti meus segredos profundos...
Levam a ti o que tenho de mais nobre...
Levam a ti meu amor...
Sinto saudade de ti, como quem esteve no paraíso e por um período passa a se ausentar fisicamente do contato inesquecível inexplicável.

E do respeito mútuo, do amor incondicional...
Da pureza dos pensamentos e do brilho dos olhos...
Paro por um instante agora, em longa respiração, sentindo em olhos fechados a tua presença com a minha na base triangular de um sonho real em constantes construções junto ao tempo...
Guiado por dois espectadores que se amam completamente e seguem juntos os mesmos caminhos...
Olhando para a mesma direção. 

Jonatas Pierre

domingo, 6 de novembro de 2011

4migas

E o mundo parecia estar encolhendo
Assim como o tempo encurtando
Tudo parecia estar mais apertado
Os sapatos
As camisas
As meias

A cama estava menor
O teto aproximava cada vez mais do chão
O sol parecia mais próximo
E o mar bem menor virava lagoa

As ruas diminuíram
E as cadeiras também
Os copos agora pareciam de brinquedo
E os carros estavam como que miniaturas

O dia estava com 22 horas
Depois 17
Depois 15!
Já não estava cabendo todos dentro de casa
E as pequenas e estreitas ruas não suportavam mais tanta gente

A floresta agora parecia uma hortinha
E as distâncias encurtaram
Mas as formigas estavam crescendo?
Ou estariam com o mesmo tamanho?

Já dava para avistar a África da montanha
Mas a montanha nem estava mais tão alta.
As nuvens estavam por entre a gente
E as grandes coisas
Agora são médias coisas

As únicas coisas que não mudavam eram os cheiros
As cores
E as formigas

Jonatas Pierre


Avenda

Isaac: Toc Toc. O de casa!
Flora: Quem é?
Isaac: A senhorita poderia dar uma chegadinha aqui fora? É que estou vendendo a lua e tenho certeza que vai querer comprar.
Flora: Mas a lua está a venda? Olha olha seu moço... Está querendo me enganar...
Isaac: Não estou não e olha que a sua casa é a primeira que bato, se não quiser seu vizinho pode querer e só tenho uma lua hein...
Flora: Hum. E ela tem valor? É caro?
Isaac: Posso te dar alguns descontos ou facilitar o pagamento.
Flora: Mesmo assim, não sei se poderei pagar... As facilidades serão boas?
Isaac: Ah, serão sim e tenho certeza que conseguirá pagar sim senhorita.
Flora: E qual será a bagatela?
Isaac: Mil e duzentos e trinta e três dias sorrindo para ao menos uma pessoa por dia.
Flora: Mas ela será só minha?
Isaac: Será totalmente e exclusivamente só sua e te dou a certeza de que ela não murcha, estraga ou some. Não precisa de garantia e nem de fiador.
Flora: Mas ai as outras pessoas vão deixar de apreciá-la... Não sei se seria justo...
Isaac: Claro que não senhorita, você cobra aluguel! Pode pedir três sorrisos por dia para cada um que sairá lucrando, eu garanto.
Flora: Hum! Negócio fechado!
Isaac: Não se arrependerá.
Flora: Não mesmo... Eu pago 1 e ganho 3...
Isaac: Se não for tomar seu tempo, tenho também um sol pra vender, mas ele é mais caro...
Flora: Hum!
Isaac: Talvez em um próximo encontro lhe ofereça. É que agora a noite ele está guardado e não teria nem como lhe mostrar.
Flora: Está bem, mas vai pensando em meus descontos... Ai quando puder me mostrar ele nós negociaremos...
Isaac: Você terá sempre preferência moça dos olhos bonitos.
Flora: Bom saber...
Isaac: Se lhe interessar moça, tenho também alguns mares, algumas montanhas e nuvens.
Flora: E isso tudo está a venda ou tu vai me dar algum de presente?
Isaac: Poxa, como sei que você será uma cliente fiel, na compra de outro de meus produtos ganhará alguns brindes.
Flora: Assim está ficando melhor, mas nesse negócio da lua não ganho nada?
Isaac: Bem, na medida em que for pagando pela lua vou lhe dando algumas  estrelas, combinado?
Flora: Claro! Agora ficou ainda melhor... Mas eu não posso pagar a lua adiantada? Cada 30 sorrisos equivale a 30 dias? Assim eu ganhava as estrelas mais cedo...
Isaac: Ai me aperta senhorita. Já são mil duzentos e trinta e três dias e cada dia é necessário o mínimo de um sorriso e ilimitado o máximo.
Flora: Pensa com carinho moço... Vai
Isaac: Posso lhe assegurar que ganhará muitas estrelas senhorita.
Flora: Hum. Quero só ver...
Isaac: Amanhã a noite já disponibilizo uma estrela, mas não me responsabilizo por nuvens hein.
Flora: Está bem.
Isaac: Obrigado e tenha uma ótima noite senhorita.
Flora: Você também!

Jonatas Pierre

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Tem Pó

Ele poderia ter nascido de outros pais?
Em outro tempo e espaço?
Seria coincidência?
Mero acaso
Ou teria algum propósito?

Passamos nossa vida inteira escolhendo
Escolhemos até mesmo estar vivos
Mas não escolhemos onde e quando nascer
Nem muitas vezes onde, como e quando morrer

Vida e morte
Inicio e fim

O mundo é criado quando nascemos
E acaba quando morremos
Conhecemos de perto as coisas, os seres
Seguimos uma vida quase que ditada
Como personagens em um grande romance

Elementos funcionais de um ciclo vicioso
Porcas, parafusos e catracas
Da engrenagem de uma máquina viva universal

Controlados pelo tempo
Tempo contado no relógio
Hora de trabalhar
Hora de dormir
Hora de comer

Temos horas
E a falsa impressão de controlarmos elas
Já não temos mais tempo
Vivemos correndo
E agora está passando a hora de realmente vivermos

Jonatas Pierre

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Imagine Só

Imagine se todos parassem ao mesmo tempo
Nos quatro cantos do mundo
Exatamente onde e como estão
E ficasse um dia
Apenas um dia completamente parados

Caos e paz ao mesmo instante

Imagine se todos parassem de produzir ao mesmo tempo
Nos quatro cantos do mundo
Simplesmente não comprariam também
E ficassem dois dias
Apenas dois dias completamente sem produzir e sem comprar

Paz e caos ao mesmo instante

Agora imagine se toda a natureza parasse de viver ao mesmo tempo
Nos quatro cantos do mundo
Exatamente sem qualquer movimento
E ficasse trinta minutos
Apenas trinta minutos completamente parada

Caos completo

Jonatas Pierre

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Escrê e Vendo

Estou escrevendo
Escrevendo para uma moça qualquer
Que não tem nome
Não tem forma e nem endereço

Que sempre sorri
Que me pisca os olhos
E mexe as sobrancelhas

Arruma os cabelos
E morde os lábios
Que abaixa o rosto
E fita um olhar

Olhar tímido e com desejo
Fera inocente
Puro brilhar de alma limpa
Que me hipnotizam
Convidam-me para dançar
E me chamam para sair por ai
Sem ter hora de voltar

Ela não é como se espera
E não adianta esperar
Ela é todas em um só ser
Ela está em todos os lugares
Em cada esquina
Sentada em todas as pedras
Ela está no espelho
E talvez lá nem todos possam entrar

Ah se eu pudesse entrar nesse espelho
E seu lindo rosto tocar
Seu cheiro sentir e em suas mãos pegar
Roçar seus cabelos e bem próximo ao seu ouvido falar

Falar as mais belas poesias
Em doces melodias
Com leves harmonias
Falaria do sol
Falaria da vida
Falaria das cores
Dos sabores
Dos serenos e do luar

Falaria do amor
Que acaso seria um descobridor
Aventurando a falar por ele
A essa bela flor

Do amor que é um mistério
Que se desenha dentro de cada coração
O amor é um convidado estrangeiro a cada chegada

Seria um reencontro
De duas peças que na infância foram separadas
Um envolver dos corpos
Que a muitos se buscavam

Ela passaria a ter forma
Diante meus olhos
Ela atravessaria o espelho de volta

Os astros bateriam palmas
As estrelas assobiariam
As ondas por um instante cessariam
E os bichos começariam a cantar

Não sei se algum dia essa moça do espelho vou encontrar
Mas um dia desses posso ser encontrado
Pois posso estar em um espelho
De uma moça qualquer que me busca encontrar

Jonatas Pierre