quinta-feira, 7 de julho de 2011

Vermelhmão

Pega o seu melhor tênis
Todo preto com pequenos detalhes em vermelho
As meias precisam ser as especiais
Brancas com duas listras azuis até um pouco abaixo do joelho

Laço um pouco apertado
Preenche o espaço vazio no tênis com algodão
Passa um pano molhado para tirar a poeira
Enfia a ponta de bermuda marrom para dentro da meia

Pronto, agora dá dois saltos para testar
Precisa estar tudo bem confortável
Coloca o cinto
Verifica se o estilingue está no bolso esquerdo
Confere se no outro bolso estão os chicletes

Camisa amarela de mangas compridas para dentro da bermuda
Na frente, duas mãos abertas
Gravadas de tinta vermelha
E alguns respingos aleatórios
E no bolso de trás da bermuda o mapa

Camisa azul enrolada na cabeça
Óculos escuros
Três traços de preto em cada bochecha feitos a dedo
Fones bem grandes que tampam as duas orelhas

Amarrado no pescoço as pontas da toalha vermelha
Na mão esquerda a super espada de cabo de vassoura
Na mão direita o super escudo de tampa de panela
E na alma a certeza de ser um grande herói

Jonatas Pierre

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Marcas no Asfalto

Os sapatos já estão bem gastos
Na camisa não há mais espaços para costuras
A calça sem bolsos
E o velho chapéu ainda fornece sombra

O chão está mais duro
O tempo mais frio
A barba mais longa
E o cabelo mais comprido

O dia mais longo
A noite mais curta
O sono mais raro
As flores mais lindas

A poeira mais pesada
A pele mais suja
Os olhos cansados
A alma partida

Perdido no espaço
Sem querer a saída
Ouvindo de todos os lados
O ranger de dentes em plena harmonia

Sorriso estampando
Fome inibida
Um nó apertado
A boca em salivas

Tormentos passados
Segredos escondidos
Marcas no asfalto
Olfato perdido

Lembranças cravadas
Correntes que brilham
Faróis apagados
E lágrimas escorridas

Jonatas Pierre

terça-feira, 5 de julho de 2011

Só U

Hoje eu consegui ver de onde ele sai
Acordei cedinho
Estava escuro ainda
Levantei sem fazer barulho para não acordar mamãe e papai

Abri a porta da sala
Sabia que já estava na hora dele aparecer
Sentei na mureta da varanda
E fiquei olhando pro céu

Será que ele aparece pequeno e vai ficando grande?
Mas onde ele vai aparecer?
No meio do céu?
Logo tive que ir para o meio do lote para conseguir ver todas as direções

O céu que estava escuro começou a clarear
Sentia que ele está vindo
Mas ainda não sabia onde apareceria
Fiquei atento quase sem piscar

A claridade do céu foi aumentando
E em um lado estava ficando mais forte
Foi pra lá que fiquei olhando
E não é que era o lado que ele estava vindo

Ele saiu de dentro da montanha
E já saiu grande
Era bem longe, mas forcei ao máximo os olhos
E não consegui ver pedras cair da montanha

Ele foi saindo lentamente e clareando mais o céu
Quem o puxa?
Eu o vi subindo e nada estava empurrando
Será que era corda invisível?

Só sei que agora sabia de onde ele saia
Mas não faço a mínima idéia de como ele saiu dali
No dia anterior ele tinha caído do outro lado também na montanha
Ainda descubro seu segredo meu amigo
Sol

Jonatas Pierre

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Viagem Mental


E se nosso cérebro fosse uma aldeia
Repleta de anões espertos e ágeis
Que obedecem ao comando de um ser superior a eles
E simplesmente executam o que lhes são ordenados

Quando recebem a instrução de alguma tarefa em zonas baixas
Eles descem escorregando pelas veias até o local apontado
Executam direitinho o que lhe fora pedido
E retornam à aldeia utilizando as CélulasTaxi

Existem também os anões de brancos
São soldadinhos que ficam a passear por todo o território
E defendem quando algum intruso tenta invadir
Eles usam macacõezinhos brancos

Tem os anõezinhos que usam um macacão vermelhinho
Eles vivem trafegando pelas veias e artérias
São responsáveis pelo transporte, coleta e entrega
E às vezes dão carona para anões que estão pelo meio do caminho

Toda vez que o ser superior manda a ordem
Logo saem disparados os anõezinhos
Ora para levantar um dedo
Ora para descer as pálpebras
Ora para ajudar a separar a comida que o ser superior joga no garladão

O garladão é uma sala onde os anões separam os alimentos
Do garladão saem a comitiva dos anões de vermelhinho
O que não é entregue para os vermelhinhos distribuírem
São colocados no farladão para serem devolvidos

Os anões não param um segundo
Mas sempre estão revezando nas tarefas
Às vezes são surpreendidos pelo ser superior
Porém, continuam a trabalhar

Quem já viu ao menos um desses anões?
E se eles rebelarem?
Quem é e o que é esse ser superior?
E se não for verdade?
E se for não mentira?
Seria um delírio ou uma viagem mental?
O que seria?

Jonatas Pierre

domingo, 3 de julho de 2011

Pense

Quem arrisca sair da caverna?
Quem arriscará chegar até a ponta do pêlo?
O que realmente se quer da vida?
O que simplesmente se espera da vida?

Lá fora é tão bom quanto lá dentro?
E a segurança? E o que se já tem?
Quais são as garantias? Quem dará certeza?
O que vale mais? Qual o seu preço?

O que lhe agrada? Qual o seu maior medo?
Onde está seu tesouro? Onde põe os seus olhos?
Quantos são os seus segredos?
Qual o seu desejo?

Em que atualmente se distrai?
O que atualmente te atrai?
Já fez alguma promessa?
O que significa a vida?
Quem você é na sociedade?

Gasta tempo com vaidade?
Acredita em ilusão?
Estás realmente vivo?
E no mundo das ideias não acredita não?

Quem é você? Pensa no que pensa?
De onde você veio? Pensa o que pensa?
Para onde vai? Pensa que pensa?
Já olhou para trás? Pense.

Jonatas Pierre

sábado, 2 de julho de 2011

Amizade

Aprendi
A vida é uma, é única
Não acredito muito em reencarnação
Em outras vidas

Às vezes
Pessoas passam a vida felizes com milhares de pessoas
Com milhares de coisas
Com milhares de momentos
E outras
Com poucas pessoas
Com poucas coisas
Com poucos momentos
Mas que são únicos e especiais

Aprendi que a vida não é só acordar e dormir
Que às vezes esperamos mais
E temos tanto no menos
Talvez alguém passe a vida inteira colecionando selos
Ou viajando
Ou acompanhado
Ou sozinho
Mas que isso seja verdadeiro

Às vezes acredito quando se diz: “que só se da valor depois que perde”
Mas às vezes penso que não damos valor por achar que nunca vamos perder
Às vezes cobramos
Criamos expectativas
Esperamos demais
Mas nem sempre sabemos o que realmente queremos
O que realmente precisamos

Aprendi na amizade
Que amigo não é coisa pra se guardar
Que amigo não se enquadra em alguma definição
Que amigos nos escolhem
E que escolhemos amigos
E que simplesmente são o que são
E estão onde estão

Você é a amiga que escolhi
Minha amiga
Que nas noites
Vê o mesmo céu que eu
As mesmas estrelas
A mesma lua
Mesmo geograficamente distante
Você é adorável
Se eu tiver um dia mais de vida
Se tu tiveres um dia mais de vida
Somos o que somos
Fomos o que fomos
Choramos e Sorrimos
Acalmamos e desesperamos
E o que temos dentro de nós agora?

Temos um segredo
Uma caixinha mágica
Uma chama clara e forte
Algo que nem todos sabem que existe
Que nem todos sabem que podem ter
Algo que muitos desprezam
Mas que quanto mais repartimos
Quanto mais compartilhamos
Mais cheio fica a caixinha
E mais forte a chama

Pode ser que essa caixa fique entre dois
Entre três
Cem
Mil
Milhões
Mas que seja sempre de amor
De amizade
De pureza
De carinho
De respeito
De sorrisos
De alívios
De segredos
De prazeres
De choros
De gozo
De discussões
De emoções
De trelas
De simplicidade
De verdade
De entregas
De equilíbrio
E principalmente de vida

Jonatas Pierre

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Labirintos

Há quem se perca neles
Há quem se encontra
Há uma entrada
E apenas uma saída

Uma corrente de várias possibilidades
Um caminho de vários caminhos
O despertar na mente da dúvida
A soberania da escolha definida

Há quem se desespera e desiste
Há quem se acalma e insiste
Há quem não se preocupa e coexiste

Seria a vida um labirinto constante?
Ou seria a vida constantes labirintos?
São várias as alternativas
Incontáveis as dúvidas e certezas
Que se alternam a cada nova opção escolhida

Há quem consiga atravessar
Há quem prefira ficar
Há quem nem sabe que está
Só não há quem não entrará
Em um dos labirintos que não param de formar

Jonatas Pierre