quinta-feira, 21 de abril de 2011

VachuVa

Céu nublado e vento forte
Os bichos começam o corre corre
Um trovão.
Dispara muito coração de susto
Um raio.
O medo congela por um instante

E mais negras ficam as nuvens
Mais frio o vento
Olhos arregalados
Fecha janela, pega a roupa, procure um telhado.
Informe ao vizinho do lado que ela já vem.

Mais trovão.
Enquanto alguns apenas esperam
Outros se desesperam
Começa o belo jogo do adivinha.
Tempestade? Passageira? Chuvisco ou Temporal?

Às vezes nem chega, mas todos sentem pelo cheiro.
Às vezes chega com muita força
E todos sentem pelo olhar ou pelo ouvir
Tremem ou paralisam
Muitos pedem, outros reclamam.
Chuva.

Jonatas Pierre

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Acredito

Antes o encontro era marcado com um sincero abraço
Hoje no avanço, apenas lembranças do passado,
Que não servem nem pra lavar prato, pois é tudo reciclável.
Corrida insana maluca procurando sempre mais espaço
No coração já preenchido por uma ganância louca varrida
Que se pouco possui, não passa de um mero fracasso.
Humilhado e excluído pela amada mídia querida
Dona das rédeas da vida pacata e vazia
Justificando a falta de alegria com a falta de grana
Esquecendo que na própria infância divertia-se pulando ciranda.

O ouvido é só pra música e os olhos só na direção do próprio umbigo
O animal virou gente e a gente corre sem parar.
Os dias estão mais quentes, as pessoas mais carentes,
A futilidade mais presente. Será que o mundo está prestes a acabar?
O labirinto não tem saída, a quina agora é esquina,
E o consumo não para de aumentar
Viver já deixou de ser, o lema agora é sobreviver até quando aguentar,
Mas acredito no humano e nas mudanças necessárias.
No sentar em um topo e contar tudo,
Rindo como se fosse piada.

Jonatas Pierre

terça-feira, 19 de abril de 2011

100tido


O que é necessário para sorrir?
Ganhar um presente?
Ter boca e dente?
Ou ouvir piada pra se divertir?

Os olhos podem nos ajudar,
Podem mostrar de perto o amor,
Mas podem também inventar uma dor.
Os olhos podem nos enganar.

O sentido fez o sentido
Viver é mais do que estar vivo
Ser vem antes de ter

Cuidado pra não inverter
Encontre na vida um bom motivo
E doe o bolo grande partido.

Jonatas Pierre

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Bosque da Vida


Ilustre e nobre é não pensar no amanhecer
Não esperar que a mesma rosa morrida
Volte a nascer

É conseguir compreender a trilha feita pelo vento
Movendo tudo que encontra
Mesmo às vezes sendo leve e lento

Buscar na verdade a perfeita companhia
Mesmo tendo dor em contra partida
Terás a certeza de nunca estar sozinha

No bosque da vida mora a esperança
Que aparenta aos olhos ser muito vivida
Mas não passa de pura e simples criança
A chorar longas lágrimas em triste despedida

Jonatas Pierre

domingo, 17 de abril de 2011

Vejo

Vejo-te
Mas não tenho certeza se me vê
Sei apenas que já me olhara
Mas como não bastasse
Já é de grande agradar e prezo
Que nesse encontro dos olhares
Disparaste no peito o coração

Um sorriso
Um olhar concentrado
Um brilho esplêndido
Eis que ver-te aflora na alma
Uma paz ardente e uma fonte crescente
Assim como na descida diária da correnteza do rio em gotas
Aumente a proximidade e a dimensão
Desse ar fluente que tornara parte minha
E que aguardo calmamente que em brevemente
Passe a fluir em ti também

Jonatas Pierre

sábado, 16 de abril de 2011

Historia100dor

Muitos querem encontrar apenas respostas,
Outros querem encontrar as perguntas.
Uma obsessão embrionária? Talvez.
Uma busca de justificativas? Suponho.
Conseguir montar o presente e desenhar o futuro? Pode até ser.
Ou seria apenas conhecer e entender?

O presente passa rápido, segundos, milésimos. Um piscar de olhos.
O futuro, meras suposições e grandes palpites.
Ter como objeto de estudo o passado? Que passado?
O que no passado? Onde no passado?
Não seria melhor estudar os homens? Mas, quais homens? Onde?

Os homens no tempo, no decorrer do tempo.
No meu tempo, no seu tempo e no tempo deles.
Deles quem?
Escolha.

Relacione, mas não julgue.
Busque, mas cuidado com as comparações e interpretações.
Questione, mas não se limite a poucas fontes.
Organize-se, mas não feche as portas para a subjetividade.

Veja, leia, ouça, sinta.
Investigue, ame, seja, reveja.
Consulte, desfrute, compartilhe, entenda.

Uma ‘verdade absoluta’ é risco constante.
Um extremismo é perigo presente.
Abra o leque, expande-se.

Jonatas Pierre

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Ponto.

Ela acorda. Levanta.
Arruma o cabelo. Molha o rosto.
Olha-se no espelho.
Os olhos ainda estão inchados. Estão vermelhos.
Só tem brinco na orelha direita. Ela sorri.
Respira fundo. Molha o rosto novamente.
Busca na lembrança a noite passada.
Chora. Ri. Soluça. Tranca a porta do banheiro.
Abaixa a cabeça. Levanta.
Olha-se no espelho. Ela não quer sair.
Não sabe se chora. Não sabe se ri.
Está com medo. Muito insegura.
Indecisa. Começa a ficar nervosa.
O rosto fica vermelho. Quer gritar.
Não quer ser ouvida. Não quer ver ninguém.
Não quer ficar sozinha.
Respira. Toca o rosto. Está confusa.
Cheira o cabelo. Ainda sente o cheiro.
Fecha os olhos. Respira fundo. Abre os olhos.
Encosta na parede. Pensa. Lembra.
Cria coragem para sair.
Segura a maçaneta. Pega na chave. Para.
Encosta a cabeça na porta. Olha pro chão.
Respira. Desfaz uma volta da tranca. Para.
Fecha os olhos. Sussurra: - Eu sei.
Desfaz outra volta. Solta a chave.
Coloca a mão no pescoço. Abre a porta. Para.
Olha reto. Dá um passo. Respira.
Sussurra: - Pronto. Para. Junta os dois pés.
Relaxa os ombros. Anda. Para. Vira. Senta na cama.
Chora. Soluça. Deita. Cobre-se.
Olha pro teto. Sorri. Fecha os olhos.
Dorme.

Jonatas Pierre