quinta-feira, 7 de abril de 2011

Nó ao Vento


Posso querer fazer tudo
Posso querer fazer nada
E brincando solene vendo o tempo passar
Atinjo um alvo que jamais pensei acertar

É noite de férias, é noite de verão,
No espelho uma esfera que conta segredos
Reflete da alma todos os desejos
Guardados no peito, trancados no coração.

Alegria e prazer de viver sem temer
Colhendo harmonia no jardim da infância
Plantando paz, saúde e esperança
Preparando o menino pra mais tarde colher.

Misturando as letras e soprando o pó
Entrando e saindo de vidas alheias
Afrontando o perigo, pulando barreiras
Vivo enrolando o destino até dá um nó.

Jonatas Pierre

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Crime Avesso


Dentro de um ou dois meses atrás saberemos quem foi o verdadeiro culpado do crime que ocorreu daqui a dois dias. Sem testemunhas ocultas a mostra, o assassino não deixará marca alguma que o incriminou. Pode-se dizer que se tratou de um crime que será bem planejado, a vítima que será assassinada foi morta sem desconfiar de nada que acontecerá. Um caso que foi difícil de investigar, onde a polícia buscou argumentações para justificar como resolverá.

O assassino escondido fugirá do galpão que será abandonado e ficará alojado em alguma casa de família que já foi destruída antes de ser construída. Espero ter nascido em breve para mandar mais notícias, só posso adiantar que a justiça tarda mais não falha e as coisas não ficaram como estarão.

Jonatas Pierre

terça-feira, 5 de abril de 2011

Posso Não Poço


Posso falar sério quando estou brincando
Posso não falar te quero quando estou te amando
Posso correr gratuito e atravessar o hemisfério
Posso deitar nos trilhos de um grande trem de ferro.

Posso andar sem roupa num frio inverno
Posso morar pra sempre num colégio interno
Posso limpar vidro com a mão cheia de prego
Posso atravessar um rio usando apenas um terno.

Posso não entender nada das leis da física
Posso tentar derrubar um pobre equilibrista
Posso me acabar pulando e cantando ciranda
Posso perder a vida, sentado num banco de varanda.

Só não posso negar o que sinto por você
Nem tão pouco disfarçar a alegria de te vê
E seguindo podendo fazendo ou não
Eis que bate no peito uma louca paixão.

Jonatas Pierre

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Cole Colhe

Uma notícia diária alegra-me ao acordar
Existe um alguém ligado em sintonia
Cantando suavemente rara doce melodia
Voz clara e limpa, não quero levantar

Os pássaros já cantam voando livremente
No mar do ar por branquinhas de algodão
Seguindo o compasso das batidas do coração
Brinca de esconde esconde a pequena semente

Vivendo pulando de lar em lar
Plantando idéias no solo amado
Ergue bem cedo o brilho do olhar

Reflete pupila a luz do dia ensolarado
Colhendo na esperança o dom de amar
Apagando da lembrança marcas do passado

Jonatas Pierre

domingo, 3 de abril de 2011

Poerrante

O poeta errante sai à procura de carinho
Fita os olhos brilhantes numa fina faixa amarela
Espera ansioso e cheiroso o desembarque dela
Pra nesse março chuvoso não ficar sozinho

Ah doce mera grande ilusão
Fez-se correr atrás de longo passo
Que não deixara pra trás marca no espaço
Mas gravara no peito profunda solidão

Do princípio ao fim não houve meio
A casa vazia e escura não lhe deixa mentir
O trágico corte final veio sem rodeio

Tamanha tristeza impossível de se medir
As lágrimas frias e secas molharam todo o passeio
Era mais um dia da vida que preferia não sentir

Jonatas Pierre

sábado, 2 de abril de 2011

Dama Noite

A poeira abaixou. O cheiro forte de terra molhada invade as narinas,
É fim de tarde, é mais um fim de dia.
A leve brisa denuncia a troca de turnos,
Os astros invertem seus postos e ficam opostos,
Mas, não deixam de reinar.

A luz ainda irradia, porém, o cheiro agora é da noite.
Já aponta a primeira estrela guia
Avisando com antecedência que chega cheia de mistérios,
Brilhando cadente pra que todos vejam
A dama dona da noite que já se põem a caminho.

É encanto aos olhos o vermelho sangue
Saindo do negro mar molhado, quente seca devagar.
O limpo lindo espelho reflete em distorção
Imenso clarão que não para de aumentar
Passando pelo pincel claro amarelo
Borrando o vermelho até em uma grande moeda d’ouro se transformar.

Dia pós dia sem falhar,
Às vezes escondida, mas, sempre presente lá.
Sobe a lua bonita permitindo graciosa beleza
Aos poucos que ficam parados no tempo a admirar.

Jonatas Pierre

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Do Simples

Voo sem asas, sem motor, sem ventilador.
Flutuo no ar e duro um bom tempo se em nada encostar.
Se for dia de sol, um lindo arco íris em mim sou capaz de formar.
Começo bem pequena, aos poucos aumento, só basta soprar!
Do alto eu vejo o sorriso de muitas crianças,
Que ficam correndo, pulando e batendo
Tentando me acertar.
Se acaso conseguem é gargalhada na certa e acabou meu voar.
Sou a dona da festa, estouro depressa e vou molhar onde eu encostar.
Do sopro de uma criança, fazendo biquinho, saio novamente a voar.
Sou a bolinha de sabão, que diverte as crianças e faz os adultos sonharem.

Jonatas Pierre