terça-feira, 27 de setembro de 2011

Som Inhô

E o vazio do silêncio conduzia seu coração
Ele só ouvia a própria respiração
Já não queria mais abrir os olhos
Na mente, tudo vivo como se fosse um filme colorido
Passando sequencialmente sem repetição e intervalo.

Sentia frio
As pontas dos dedos já não tinham sensibilidade
Até que a cabeça começou a doer.

Sentiria as flores frio?
Doeria nas folhas as gotas de chuva?
O que significa estar vivo?

As costas estralavam
Ele se mexia violentamente de um lado para outro
Não conseguia gritar

Num ato de desespero
Se jogou
E em vez de cair
Ele levantou
Ele acordou
Abriu os olhos
Sorriu
Espreguiçou e se sentiu vivo.

Jonatas Pierre

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Brinca

João queria um carrinho de controle remoto,
mas seu pai não tinha dinheiro
e ele foi pra rua brincar.

Paulinho queria brincar na rua,
mas seu pai tinha dinheiro
e um carrinho de controle remoto ele vai ganhar.

Jonatas Pierre

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Isaac e Seu Carrinho de Papelão

Ele não tinha rodas, não tinha pneu e nem volante,
Mas levava Isaac onde ele quisesse.
Ele não tinha janela, não tinha porta e nem cano de descarga,
Mas corre e levanta poeira como nenhum outro carrinho faz.
Ele não tinha porta-malas, não tinha bancos e nem freio de mão,
Mas faz barulho igual a um avião.
Ele não tinha motor, não tinha placa e nem retrovisor,
Mas para e estaciona em qualquer lugar que quiser.
Ele não tinha vidros, não tinha farol e nem amortecedor,
Mas buzina e derrapa como se fosse um astro.
Ele não tinha limpador, não tinha bagageiro e nem carburador,
Mas salta os obstáculos feito um canguru voador.
Ele não tinha para-choques, não tinha rádio e nem gastava gasolina,
Mas faz qualquer curva sem capotar.
Ele não tinha luz de ré, não tinha ar condicionado e nem acelerador,
Mas chama atenção onde quer que passe.
Ele não tinha pintura, não tinha adesivo e nem forma,
Mas é o melhor carrinho do mundo.

O carrinho do Isaac.
Uma caixinha de papelão.
O carrinho do Isaac.
O carrinho da imaginação.

Jonatas Pierre

domingo, 18 de setembro de 2011

Mesmo


A vida já não lhe dava mais escolhas
Era pegar ou largar
Ele já não sabia o que fazer
Há anos faz o mesmo percurso
De casa ao trabalho
Do trabalho pra casa
Nos mesmos horários

Tudo estava sempre no seu mesmo lugar
As mesmas pessoas no ponto
Reclamando e conversando as mesmas coisas
Os mesmo carros saindo das mesmas garagens
As árvores e postes também eram os mesmos
Ele ria

Não se conformava com tamanha conformidade
Achava-se livre e muito esperto
Mas não sabia que era apenas mais um no cenário

Ele fazia todo dia as mesmas coisas
Passava pelo ponto de ônibus olhando para todos
Abaixava e amarrava o cadarço de seu tênis que estava sempre desamarrado

Para um pouco e ficava olhando para os carros saindo das garagens
Um por um
Virava-se e olhava os postes e as árvores
Ria e continuava o seu mesmo caminho diário


Jonatas Pierre

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Descejo


Ele sonha toda noite
Queria que o mundo fosse recheado de paz e felicidade
Queria que todas as pessoas tivessem tudo o que desejassem
Mas ele não sabia o que cada m deseja
Muito menos onde isso impactaria.

Pois há quem deseje o melhor para si
E se sentiria ótimo em realizar.
Há quem apenas deseja o pior para o outro
E se sentiria ótimo em realizar.
Há quem deseje o bem comum para todos
E não se sabe ao certo se esse bem seria realmente comum.
Há quem simplesmente deseja não desejar
E prefere dá corda à engrenagem.

Há que não dorme
Há quem não se ajunta
Há quem dorme muito
Há quem se arruma

Ele acorda
Ela brilha
Ele elogia
Ela recria
Ele volta a dormir

Jonatas Pierre

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Pensando Sobre Igualdade - 1


De fato a igualdade é vista como virtude?
Sabe-se diferenciar igualdade de ser igual?
Quando se fala de uma sociedade igualitária, refere-se a que tipo de igualdade? Em quais áreas? Quais campos? Qual contexto?
O que se deve levar em consideração?
A partir de qual conceito? O meu? O seu? O nosso? O ‘nosso’ quem?

Pode-se pensar em igualdade sem justiça?
Em igualdade sem liberdade?
Pensa-se em uma igualdade distributiva?
Com quais bases? Quais argumentos? Quais objetivos?
Tira-se e/ou adiciona-se para igualar?
O bem comum partindo de quais princípios?

Quem fala em igualitarismo já pensou em igualitarismo?
É apenas ter igualdade em tudo para todos?
É não ter desigualdades sociais baseadas em recursos?
É possível pensar em práticas sem teorias?
Terá métodos? Análises? Levantamento de referências?

Quais são as suas preferências?
O que valoriza?
Quais os seus gostos e êxitos?
O que estará contemplado no alicerce dessa igualdade?
Como se definirá esse alicerce?

Quem está realmente disposto a levantar essas questões?
Qual o verdadeiro interesse em se pensar nisso?
Seria possível atingir uma igualdade a todos e agradá-los?
Desconsideraria os sentimentos?
Quem ditaria as regras?
Como chegar à mente?

Só penso, ainda.

Jonatas Pierre

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Voador


Isaac queria voar.
Ele não sabia por que não tinha nascido com asas.
Sentia-se preso ao chão.
Pensava que era culpa dos pés,
Plantava bananeira na esperança de cair até o céu.
De certa forma, ainda muito novo,
Isaac relacionou o ato de voar com ter liberdade.

Cada vez mais se iludia com seus saltos,
Buscava aumenta o tempo de ‘voou’ em seus pulos.
Com isso arriscava a vida nos grandes saltos em areias e camas elásticas.
Gostava de avião, mas queria voar sem rota.
Queria fugir do inverno e dormir no topo de um penhasco.

Isaac começou a ler
E em suas leituras conseguiu seguir um cometa,
Acompanhar uma águia e deitar em uma nuvem.
Chegou a pescar estrelas e dormir na ponta da lua minguante.

Ele mudou sua forma de ver o mundo,
Hoje faz vôos altos e tem uma visão panorâmica,
Mas desenvolveu a capacidade de descidas rasantes
Para bem próximo da terra, dentro dela e abaixo.

Agora está aprendendo a nadar e a mergulhar...

Jonatas Pierre