sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Descejo


Ele sonha toda noite
Queria que o mundo fosse recheado de paz e felicidade
Queria que todas as pessoas tivessem tudo o que desejassem
Mas ele não sabia o que cada m deseja
Muito menos onde isso impactaria.

Pois há quem deseje o melhor para si
E se sentiria ótimo em realizar.
Há quem apenas deseja o pior para o outro
E se sentiria ótimo em realizar.
Há quem deseje o bem comum para todos
E não se sabe ao certo se esse bem seria realmente comum.
Há quem simplesmente deseja não desejar
E prefere dá corda à engrenagem.

Há que não dorme
Há quem não se ajunta
Há quem dorme muito
Há quem se arruma

Ele acorda
Ela brilha
Ele elogia
Ela recria
Ele volta a dormir

Jonatas Pierre

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Pensando Sobre Igualdade - 1


De fato a igualdade é vista como virtude?
Sabe-se diferenciar igualdade de ser igual?
Quando se fala de uma sociedade igualitária, refere-se a que tipo de igualdade? Em quais áreas? Quais campos? Qual contexto?
O que se deve levar em consideração?
A partir de qual conceito? O meu? O seu? O nosso? O ‘nosso’ quem?

Pode-se pensar em igualdade sem justiça?
Em igualdade sem liberdade?
Pensa-se em uma igualdade distributiva?
Com quais bases? Quais argumentos? Quais objetivos?
Tira-se e/ou adiciona-se para igualar?
O bem comum partindo de quais princípios?

Quem fala em igualitarismo já pensou em igualitarismo?
É apenas ter igualdade em tudo para todos?
É não ter desigualdades sociais baseadas em recursos?
É possível pensar em práticas sem teorias?
Terá métodos? Análises? Levantamento de referências?

Quais são as suas preferências?
O que valoriza?
Quais os seus gostos e êxitos?
O que estará contemplado no alicerce dessa igualdade?
Como se definirá esse alicerce?

Quem está realmente disposto a levantar essas questões?
Qual o verdadeiro interesse em se pensar nisso?
Seria possível atingir uma igualdade a todos e agradá-los?
Desconsideraria os sentimentos?
Quem ditaria as regras?
Como chegar à mente?

Só penso, ainda.

Jonatas Pierre

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Voador


Isaac queria voar.
Ele não sabia por que não tinha nascido com asas.
Sentia-se preso ao chão.
Pensava que era culpa dos pés,
Plantava bananeira na esperança de cair até o céu.
De certa forma, ainda muito novo,
Isaac relacionou o ato de voar com ter liberdade.

Cada vez mais se iludia com seus saltos,
Buscava aumenta o tempo de ‘voou’ em seus pulos.
Com isso arriscava a vida nos grandes saltos em areias e camas elásticas.
Gostava de avião, mas queria voar sem rota.
Queria fugir do inverno e dormir no topo de um penhasco.

Isaac começou a ler
E em suas leituras conseguiu seguir um cometa,
Acompanhar uma águia e deitar em uma nuvem.
Chegou a pescar estrelas e dormir na ponta da lua minguante.

Ele mudou sua forma de ver o mundo,
Hoje faz vôos altos e tem uma visão panorâmica,
Mas desenvolveu a capacidade de descidas rasantes
Para bem próximo da terra, dentro dela e abaixo.

Agora está aprendendo a nadar e a mergulhar...

Jonatas Pierre

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Anoiteserá

Amanhacerão parados todos os relógios
Amanhaserá marcado o dia com palmas e assobios
Amanhaserá que amanhecerá?

A manha será cessada
A manhe será presenteada com flores
Amanhacerá com o brilho do sol
Amanhaserá vida sem dores

Anoiteserá bela
Anoiteserá iluminada pelas estrelas e pela lua
Anoitecerá e todas as pessoas sairão para rua
Anoiteserá um grande espetáculo

Amanhaserá que anoiteserá?
Amanhecerá e anoiteserá?

Quem pensa se amanhaserá diferente?
Quem pensa que amanhecerá novamente?
Quem espera que anoiteserá de surpresas?
Quem espera que anoitecerá repleta de belezas?

Amanhaseramanha
Anoiteseranoite
Amanhaseranoite
Anoiteseramanha
Amanheceranoite
Anoiteceramanha

Jonatas Pierre

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Mundo Secreto


Há quem acredite que por detrás dos espelhos existe um mundo secreto
Um mundo onde todos os objetos são perfeitos
Um mundo sem relógios

Um mundo onde todas as cores são vivas
Os animais falam
E as plantas cantam doces melodias

Nesse mundo não se vê sofrimento
Não se tem lamento
E nem engarrafamento

Um mundo que não cobra aluguel
Não é de papel
E não permite solidão

Sentem-se todos os cheiros
Todos os desejos
E todos os sabores

Um mundo onde não se compra
Não se vende
E tudo se tem

Nesse mundo não tem duende
Não tem dor de dente
Nem pneu sobressalente

Não falta água
E nem falta comida
Não tem briga

Tudo se entende
Tudo tem vida
E não tem despedida

Quem foi pra lá não voltou pra contar
Mas deixou uma carta com um segredo
Que passa nas mãos de poucos
De geração em geração

O segredo é tão simples
Que é difícil acreditar
Pra descobrir não basta muito
Mas quem quer tentar?

Jonatas Pierre

terça-feira, 26 de julho de 2011

Nuvens


Quando nuvens ao mundo
Não se sabe o que esperar
Se será sombra e abrigo
Ou será escuridão e perigo

Há quem busque figuras e imagens
Há quem muito ansioso reza pra chegar
Há quem note apenas quando oculta a luz
Há quem acredita que se pode pegar

Quando clara a muitos seduz
Quando cinza arrepio produz
Quando movimenta erradia beleza
Quando ausente da vontade de criar

Não deixam rastros
Não pedem pra chegar
E nem avisam que vão partir

Conhecem o céu
Conhecem a terra
Conhecem o mar
O sólido, o líquido, o gasoso

Aparecem, dançam, somem

        Nuvens
      nUvens que vêm
    nuVens que vão
 nu vEns
        Nu vais
    nuS


Jonatas Pierre

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Meu Quase Primeiro Amor

De um tempo pra cá
Todos os dias quando saio da estação do metrô
Sou recebido com um maravilhoso sorriso

Ela tem os olhos brilhantes e grandes
E os lábios parecem desenhados
O belo sorriso é sempre o mesmo

O meu dia fica uma paz
Sempre correspondo com um grande sorriso também
Mas o dela é perfeito

Porém, com o passar do tempo, reparei uma coisa
Ela está ali todos os dias e sempre sorrindo pra mim
Exatamente no mesmo lugar
E com a mesma roupa

Estava bom demais para ser verdade
Porque eu?
Será que algo em mim a atraiu?
Será que era só educação mesmo?
Será que estava me apaixonando?
Dentro do meu pessimismo resolvi descobrir

No dia seguinte fui um pouco mais cedo
E lá estava ela no mesmo lugar e com a mesma roupa
Passei e respirei fundo com o sorriso
Devolvi com outro bem empolgado
Porém, andei um pouco e me escondi
Logo, vi que ela sorria para todos que passavam ali

Fui para a escola pisando forte
Não sabia se estava com ciúmes
Ou se realmente eu estava confundindo tudo
Mas ainda assim ela encantava meu dia

Com aquilo tudo na cabeça, resolvi voltar da aula de metrô com um amigo
Comentei a ele sobre a linda menina
Quando chegamos mais ou menos perto do local
Chamei Jacob para entrar na barraquinha de bala
Dava para vê-la dali e ela estava lá no mesmo lugar e sorrindo

Dei uma cutucada nele e disse:
- Jacob! Olha ela... Lá, de vermelho
Ele olhou e soltou uma gargalhada:
- Isaac! Aquilo é um outdoor!

Jonatas Pierre