sexta-feira, 29 de abril de 2016

No Ponto - Viva o Hoje, Esteja no Agora.

Sebastian foi ao centro de sua cidade resolver pequenas coisas e sem muito demorar chegou ao ponto de ônibus esperar para embarcar de volta para casa. Exatamente como de costume começou a observar as pessoas que assim como ele estavam ali a esperar. Um belo casal a conversar, crianças correndo e sorrindo, pessoas indo e vindo em diversas direções. O sol não estava muito forte, mas o suficiente para que todos procurassem as sombras das marquises e das árvores.

Não demorou muito e o ônibus do qual Sebastian esperava aponto na outra esquina, as pessoas que também esperavam por ele começaram a se movimentarem para mais próximo a parada, Sebastian como de costume ficou um pouco mais distante, sempre deixa todos entrarem e fica por último. Quando o ônibus foi se aproximando lentamente, o bolo de pessoas aumentou e de repente surge uma figura emblemática. Um rapaz com uma camisa roxa suja e um short vermelho também sujo, ele tinha uma barba por fazer e estava de chinelos, os pés também estavam sujos. Mas o que chamava a atenção era o comportamento desse rapaz, ele vinha falando alto, pode-se considerar em um tom realmente mais elevado que o normal, coisas referentes a futebol.

Logo as pessoas foram abrindo o bolo tentando 'escapar' do rapaz, que a cada pessoa que se aproximava falava coisas referentes a futebol, a um jogo que teve final de semana. Pelos olhares das pessoas Sebastian pode ver olhares de julgamento, de preconceito, de susto, de insegurança... 

Certamente alguns o via como drogado, bêbado, marginal, doido... 

Porém, algo surpreendente estava por acontecer, ao ir se aproximando do ônibus, o rapaz emblemático foi conseguindo passagem, já que as pessoas iam abrindo caminho, ele logo entrou e de onde Sebastian estava ele conseguiu ver que o rapaz sentou logo no segundo banco da parte da frente do ônibus. Sebastian olhou um pouco para a esquerda a viu uma senhora conduzindo um homem que não enxergava, ele também embarcaria no ônibus. As pessoas que estavam entrando no ônibus também abriram passagem para o homem entrar, ele sentou no primeiro banco do ônibus, bem à frente do nosso rapaz emblemático que continuava a falar sobre futebol com um tom de voz alto.

Finalmente Sebastian entrou, passou pela roleta e sentou logo no primeiro banco depois da roleta, em uma posição bem próxima a do rapaz. Foi aí que o fato mais interessando ocorreu, o rapaz emblemático continuou a falar do futebol e o homem que nada enxergava se virou um pouco para trás, por identificar que a voz vinha de trás dele e perguntou a quem falava o que havia acontecido no futebol no final de semana. Logo o nosso rapaz contou para ele os resultados e os dois começaram a conversar, e até onde o homem desceu eles foram conversando, dando risadas, fazendo piadinhas e por vários momentos faziam outras pessoas que estavam próximas também sorrirem.

Sebastian refletiu muito depois que os dois desceram, pois havia visto pessoas que julgaram o rapaz pela imagem que ele passava, por suas roupas, pelo seu jeito e comportamento, mas nenhuma dessas pessoas o aceitou, todos rejeitaram ele, todos, menos o homem que nada enxergava, pois para ele a essência está no ser e não no que se vê. Como temos conceitos pré-estabelecidos, como excluímos pessoas no dia a dia simplesmente pelo que vemos. Sebastian sempre defendeu que em uma conversa o importante não é tanto olhar no olho das pessoas, mas sentir a alma, a essência, caso contrário ninguém nunca conseguiria conversar com alguém que fosse cego, pois não se poderiam olhar-se nos olhos. Sebastian até por vezes pense que seria maravilhoso se conversássemos de olhos fechados, talvez assim teríamos a oportunidade de prestar efetiva atenção ao que está sendo dito, não teríamos distrações que roubam nossas atenções e nem pré-julgaríamos pelo que vemos.

Vamos amar mais, doar mais, nos abrir mais, sair de trás dessa casca grossa e rude que criamos para nos defender de algo que nós mesmo criamos. Converse mais, sinta mais, seja mais.